Sta. Margarida Alacoque: Preparando-se para comungar, Jesus lhe fala: “Vê minha filha, o mau tratamento que recebo nessa alma que acaba de comungar; tibieza, frieza, pouco caso. Ela renova todas as dores da minha Paixão. Quero que tu faças desagravo a meu coração, oferecendo ao Pai o sacrifício cruento da cruz e toda a tua pessoa, para reparar as indignidades que recebo nesse coração”.

Nosso Senhor apresenta cinco corações infiéis, dizendo:

“Encarrega-te desse fardo e participa das amarguras do meu coração”.

“Minha filha, meu amor me fez sacrificar tudo pelos homens, sem receber deles retribuição. Quero que tu supras esta ingratidão”.

Certa vez, Margarida sentia pesar sobre ela a santidade de Deus; sentia-se esmagada. “Isto é só uma pequena amostra. As almas justas suportam-na, mas se ela cai sobre os pecadores?…”

Catarina Emmerich a vidente da Paixão, recebera do céu, desde pequena, a tarefa de rezar pelos pecadores.

Diz ela: “Desde pequena rezei muito, menos por mim do que pelos outros, a fim de que se salvem. Nisso fui bem ousada, pensando: Jesus pode tudo e ele gosta que lhe peçamos com coração e coragem”.

O santo Cura d’Árs foi grande devoto dos pecadores:

“As almas custaram tantos sofrimentos a Jesus. Que lástima se perderem eternamente… Oh! esses pobres pecadores que estão na eminência de se decidir pró ou contra Deus! Um Pai-nosso, uma Ave-Maria pode inverter a balança ao seu favor. Rezemos pela conversão dos pecadores!

É a mais bela e a mais útil das orações, por quanto os justos já estão no caminho do céu. As almas do purgatório estão seguras de entrar nele. Mas os pobres pecadores… os pobres pecadores… E quantos estão em suspenso! Rezemos. Todas as devoções são boas, mas nenhuma melhor que essa”.

Contam dele a seguinte entrevista, “Tudo pela conversão dos pecadores”:– Mas, sr. Cura, se Deus vos propusesse: ou subirdes ao céu agora mesmo, ou ficardes na terra para trabalhar na conversão dos pecadores?

– “Creio que ficaria”.

– “Será possível? Os santos são tão felizes. Lá não há mais tentações, não há mais misérias…”

Com um sorriso angélico, respondeu:

– “É verdade, mas os santos são tão felizes; são uns capitalistas (vivendo dos juros); não podem mais, como nós, glorificar a Deus pelo trabalho, pelo sofrimento, pelos sacrifícios para salvar almas”.

– “E ficaríeis na terra até ao fim do mundo?”

– “Do mesmo modo”.

– “Nesse caso, teríeis muito tempo pela frente. Levantar-vos-ieis também de madrugada?”

– “Oh! Sim. À meia-noite. Não me incomodo. Seria o mais feliz dos homens”.

Sta. Bernadete na gruta, recebeu da Mãe de Jesus a ordem de rezar todos os dias pelos pecadores. Ao morrer, ficou preocupada e só sossegou quando o confessor lhe prometeu continuar rezando pelos pecadores, em seu lugar e em seu nome.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR