MARIA BROTEL

Vítima de Oração – 1819-1888.

“Aos treze anos vi Nosso Senhor. Ele ofereceu-me a cruz: “Eis, minha filha, o que quero que carregues”.

Aos catorze anos, um dia após minha primeira comunhão, Nosso Senhor mandou-me fazer meditação todo dia. Abriu-me seu coração, dizendo que nesse coração se encontra todo o amor que ele me queria dar… Mostrou-me as almas para fazer-me rezar por elas. Mas eu achava o tempo longo; não fazia nada”.

“Entre os quinze e vinte anos, no dia da comunhão eu fazia uma meditação de uma hora. Mais tarde, uma hora e meia. Nosso Senhor pediu ainda mais Portanto, fiz duas horas de meditação, depois três”.

Dos 24 aos 26 anos: “Minha filha, eu quero que faças quatro horas de oração por dia.” Achei que era longo demais. Mas foi preciso obedecer”.

1861: “Nosso Senhor, Nossa Senhora e São José vieram mostrar-me as almas que morrerão nesse dia. Sinto grande pesar, pois vejo quais se perdem”.

1862: “Jesus faz-me sofrer pelas almas. Unida a ele, eu sobrevoava todo o universo. Via por toda a parte, almas na agonia”.

1863: “Sofro todas as noites pelos agonizantes. Muitos caem no inferno. Muitos vão para o purgatório. Quão poucos vão diretamente ao céu”.

1870: “Vejo que, se a oração parasse, logo a justiça se abateria sobre o mundo… ruínas… sangue… Preces fervorosas podem salvá-lo. Jesus incita-me a trabalhar.

Tenho a eternidade no céu; mas na terra vale o tempo.

Também para a obra das almas. E o tempo passa; ele é precioso”.

“Continue rezando”, repete-me Jesus sempre de novo.

“Vi o Pai. Impossível descrever a imensa bondade de Deus Pai”.

“Eu pensava que no Pai havia sobretudo majestade e onipotência. Mas eu vi, sobretudo e acima de tudo, amor”.

Ele me disse: “Filha, os homens não me conhecem. Por isso, eles me servem com temor de escravo, julgando-me severo. Mas tu estás vendo meu amor pelas criaturas, e meu desejo de vê-las felizes…” Ele falou de sua bondade paternal para comigo, de seu amor pelas criaturas, durante quatro ou cinco horas. Jesus apareceu, estava triste e disse-me: “Desde muito tempo ando à procura de uma alma que queira entreter-se comigo por longo tempo na oração, e não encontro. Ninguém quer entrar dentro de si e de mim. Não há ninguém que queira conversar comigo. Ou não têm tempo, ou acham o tempo longo. Procuram a si próprios e não ao Pai nem a mim.

Assim também não chegam à santidade… tempo perdido… graças perdidas”.

“Jesus, toca essas almas, falei, modifica-as”. “Mas como fazer, se só na oração posso dar luz e amor?” Então Jesus fez-me ver melhor a triste cegueira de tantas almas. Fiquei espantada vendo-as afundar-se dia por dia numa noite profunda; precipitar-se no inferno por si mesmas, sem que os demônios tivessem muito a fazer. Jesus estava profundamente triste, chorava ao mostrar-me tudo isso. Ele recomeçou: “Afirma-se que Deus não reclama o que não deu. Mas eu vou exigir dessas almas tudo o que não lhes dei. Porque elas privam-se das graças por sua preguiça, por pouco caso. Porque não querem incomodarse, mortificar-se. Exigirei tudo o que lhes teria dado se tivessem sabido querer. Reclamarei delas as almas que teriam salvo”.

 Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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