“Parecia-me, posso dizer, que é difícil ir ao céu sem a oração. Jesus continuou: “Quero que tu me indenizes por toda essa frieza e por isso passarás quatro horas comigo na oração”.

“Ah! não posso”. “Queres tu também fazer-me pena como essas almas que te mostrei?” “Mas é impossível. Tanto tempo!” “Cuida bem de teu tempo, e verás que podes.

Não percas um minuto, e acharás quanto te é preciso, e mais”.

“Eu tinha de aceitar… comecei a fazer quatro horas de oração. Muitas vezes passaram depressa quando Jesus fazia tudo”.

“Gosto que tu me procures. Quantas almas procuram-me por um momento apenas, e vão-se embora dizendo que perdem seu tempo. Elas não me acham porque não se dão ao trabalho de procurar-me seriamente”.

“Ah! se essa gente tivesse perdido seus bois, suas vacas, como os procurariam até encontrá-los. Mas por mim, não vale a pena”.

“Não é por mim, por elas é que eu sofro. Vejo as graças que elas perdem por sua culpa e para sempre. Eu procurei-as com tanto amor. Não, eu não me canso. E elas, dois minutos bastam para se aborrecer… Minha filha, quero que me busques por aqueles que não querem”.

“Mas, Jesus, tu queres que a gente te procure tanto… mas a gente não te encontra logo. Muitas vezes Tu te deixas procurar por longo tempo!”

“É verdade, respondeu, mas aí está o mérito do amor.

Se as almas me procurassem durante a vida toda, sem me encontrar, teriam feito apenas sua obrigação. Encarregar-me-ia de recompensá-las largamente”.

“Muitas vezes, ao pôr-me na oração, estava na aridez, e ficava horas sem que Jesus viesse falar-me, ou me ver. Esperava. Chamava. Em vão. Então dizia-lhe: vou passar a vida aqui, mas não irei embora de modo nenhum.

Quando veio, sorriu: “Não pude resistir. Foi preciso descer. Tu atrais meu coração. Preciso vir e abri-lo e fazer-te ver meu amor por teus irmãos e por ti…”

Às vezes Jesus me censurava de não ter bastante confiança. “Deixa-me fazer; isto não é da tua conta; é da minha. Se quero que morras, isto não tem nada a ver contigo.

Eu tenho de ver. Eu mando, não tu. Tu obedeces e nada mais. Não queres abandonar-te. Tu me amarras”.

“Maria Santíssima disse-me muitas vezes que a oração foi seu alimento corporal e espiritual. Que passava dias e noites sem beber, sem comer, na oração com Jesus.”

Jesus: “Não consigo conversar bastante contigo. Faze um retiro comigo”. E Jesus mesmo marcou os pontos da meditação.

“Pensas que é por tua causa que te peço isto? Oh! não. É por teus irmãos. Sabe que nunca me pedes bastante…

Reza pelas almas sem pensar em ti”

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR