6. A DOR

A CRUZ

Mistério

A realidade número três do triunvirato de origem terrestre é a dor, o sofrimento. No céu não há sofrimento de espécie alguma.

O amor, o número um, entra tal qual no céu. Só que suas labaredas elevar-se-ão sete vezes mais alto (Dn 3). A oração também entra no céu, mas muda um pouco de conteúdo; todavia, a grande devoção pelos pecadores continua no coração de todos os eleitos, até findar o tempo.

O sofrimento não entra no céu: fica na porta e retorna à terra. O sofrimento é como a fonte de água viva de João (4,14), que brota da terra mas lança suas águas para o além, para a vida eterna.

Um escritor meteu-se na cabeça a idéia de condensar um livro numa página só, e de resumir essa página numa só palavra. Tentou, mas desistiu. A nossa fé resolveu esse problema. Crucificado, Cristo na cruz, eis o resumo de todo o cristianismo, de toda a redenção.

Por sobre a cruz ressoam as palavras: “Maior amor não existe do que dar a sua vida” (Jo 15,13). Com a cruz chegou a hora da qual fala o Filho de Deus: “Tanto amou Deus o mundo que entregou o seu Filho único à morte, a fim de que tenham a vida eterna” (Jo 3,16). E novamente: “Nisto conhecemos o amor de Deus que deu a vida por nós” (Jo 3,16)” (T. Toth).

Sofrimento – dor – cruz: é a terceira dimensão do cristianismo. Escreveu Anatol France: “Jamais pude perdoar o sofrimento”.

Idêntico, só mais brutal, o protesto de Nietzsche. A dor é um mal no plano natural. Mas aos olhos da fé, no plano sobrenatural, realizada a redenção; o único mal ainda existente é o pecado. Tudo o mais, morte, doença, sofrimento transformou-se num bem, num valor positivo.

O sofrimento atraiu a Deus para a terra. Bens ele os possuía de sobra no céu e não invejava o paraíso terrestre.

A criatura humana tem inveja dos bens da terra e tem medo dos sofrimentos. Com Deus deu-se justamente o contrário.

Ele tinha, por assim dizer, inveja do sofrimento, até realizar-se a Encarnação. Por trinta e três anos participou da nossa sorte. E ainda não contente, incorporou os remidos ao Corpo místico, e assim os sofrimentos humanos tornaram-se sofrimentos de Deus, até ao fim do muno.

Agora, o Deus do céu está satisfeito. O maior valor da terra é seu, a pérola grande da parábola.

 

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