MORTIFICAÇÃO

“Quem não orienta para a mortificação, para a cruz, não leu o evangelho; não é cristão” (Bremond)

O naturalismo, presente em todos os séculos da história da Igreja, apregoa que o cristianismo é uma doutrina de vida, não de mortificação. O cristianismo não quer renúncias inúteis, mas deve integrá-las em todas as atividades humanas. Pobreza não tem sentido num século de máxima produção técnica.

Virgindade e celibato são valores negativos em face do matrimônio cristão. Nada de obediência, porque o cristianismo nos trouxe a liberdade. A providência divina colocou-nos no mundo não para destruí-lo, mas para aperfeiçoá-lo. O espírito-iniciativa é uma força constitutiva.

Misturam-se habilmente verdades e falsidades. A graça supõe a natureza, não a destrói, diz o conhecido brocado escolástico. Mas não tomando cuidado, a natureza é capaz de destruir a graça.

E  Cristo?

Está com a palavra a Escritura. Cristo não veio para fundar alguma obra de beneficência, de filantropia, mas para dar à humanidade a vida nova que brota da cruz do Calvário. Ele exige do seu discípulo renúncias, renúncia à família, à propriedade. Exige carregar a cruz de cada dia (Lc 14, 26.33).

Para os mesmos discípulos vale a parábola do grão de trigo que deve morrer na terra par dar fruto (Jo 12,24).

Para todos vale que é preciso podar os desvios da natureza a fim de dar mais fruto (Jo 15,1).

Para todos vale que, “quem ama a sua vida, perdêla-á; e quem neste mundo, odeia a sua vida, salva-la-á para a vida eterna” (Jo 12,25 e Lc 9,24).

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se chegar a perder a sua alma?” (Mt 16,26). “Quem perde a sua vida por minha causa, salva-la-á” (Mt 16,25).

Paulo

São Paulo, discípulo fiel, pratica a mortificação e exige-a dos fiéis: “castigo meu corpo” (1 Cor 9,27), “pois a carne protesta contra o espírito” (Gl 5,17). “Se viverdes segundo a carne, morrereis” (Rm 8,12). Portanto:

1. O vocábulo mortificação é invenção de São Paulo: fazer morte, fazer morrer. “Mortificai o vosso corpo” (Cl 3,5). “Se pelo espírito mortificardes os apetites da carne, vivereis” (Rm 8,13).

2. Despojamento. “Despojai-vos do velho homem e revesti-vos do homem novo” (Ef 4,22; Cl 3,9).

3. Crucifixão: “Os que são de Cristo, crucificaram seu corpo” (Gl 5,24; Rm 6,6).

4. Morte e sepultura: “Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte” (Rm 6,4). “Vós morrestes e vossa

vida está com Cristo, oculta em Deus” (Cl 3,3). “Estamos entregues à morte… Embora se destrua em nós o homem exterior, o interior se renova dia após dia” (2 Cor 4,11.16).

Não vejo como combinar essas palavras da revelação com as teses do naturalismo.

Teologia das Realidades Celestes

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