Tradição

A tradição cristã é fiel à mensagem evangélica. Mortificação é caminho necessário para a perfeição: mão única.

“Devemos tomar a terra como caminho, não como pátria” (São Gregório Magno)

“Deus te criou; examina-te e destrói em ti, tudo o que não saiu de sua oficina” (Sto. Agostinho)

Eckehart, grande mestre espiritual da Idade Média, escreve: “Prestai atenção, ó vós, espíritos intelectuais! O corcel mais rápido para conduzir-vos à perfeição é o sofrimento”.

Sta. Teresa d’Ávila: “Os dois pés com os quais caminhamos na vida da perfeição são: mortificação e amor de Deus. Aquele é o pé esquerdo; este é o direito”.

São Francisco de Sales: “Os verdadeiros devotos são os verdadeiros mortificados. Sofrer é quase o único bem que somos capazes de realizar na terra. Uma onça de paciência vale mais do que um quilo de ação”. E insiste o santo, em seu modo gracioso; “A festa da Purificação não tem oitava, o que quer dizer que até o nosso último suspiro temos de purificar-nos. Portanto, é preciso termos duas resoluções iguais. Uma, de ver crescer sempre as ervas más em nosso jardim. A outra, de ter coragem de arrancá-las”.

São Vicente de Paulo: “Se alguém acredita que já está com um pé no céu e omite a mortificação, este está no supremo perigo de despencar logo que puxar o outro pé”.

F. W. Faber: “Vede a fileira dos santos. Para a maioria deles foi a dor que lhes abriu os tesouros do amor divino.

A dor conduziu-os àquela paragem venturosa.

A dor formou as coroas que ornam suas cabeças. A dor profunda, prolongada, fá-los contemplar, agora, a glória”.

“O ponto em que os nossos contemporâneos ficam evidentemente atrás dos antigos, é o apreço e a prática da mortificação” (Saudreau)

Escritor ascético, moderno, criterioso, Zimmermann SJ, escreve: “Não há dúvida que dentro de nós há forças contrárias à perfeição. Se nós não as impedimos, elas é que impedem a perfeição, e isto em todos os seus degraus, desde o simples estado da graça até o mais alto vôo do amor… Ou mortificação ou perda da perfeição, e com isso perda de maior felicidade aqui e acolá… E não valem escusas. A natureza defende-se e esconde-se atrás de mil pretextos corriqueiros. Quando não prefere contestar a submissão e obediência abertamente. Mas não há como fugir…”

“Ao céu, via-se com um pequeno pedregulho no sapato” (L. Veuillot)

Teologia das Realidades Celestes