Séculos mais tarde recebemos a mesma mensagem. Sta. Teresa d’Ávila não se cansa de repetir que o empecilho principal para o progresso na vida mística é algum apego egoísta

. Aliás, o único obstáculo, pois se tomamos a sério a entrega total, Deus não falta com sua parte. “O ponto está em que lhe demos por seu (o palácio de nossa alma) com total determinação, e lho desembaracemos, para que nele possa pôr e tirar como em coisa própria…

Como não violenta nossa vontade, toma o que lhe oferecemos. Mas não se dá de todo enquanto não nos damos de todo…

Se atravancamos o palácio de gente baixa e de sevandijas, como há de caber nele, o Senhor com sua corte?” (Caminho 28,12)

“Temos demasiado amor a nós mesmos e extrema circunspecção para defender os nossos direitos. Oh! que grande engano” (Morada 5,4,6). Que fina ironia!…

“Mãos à obra, despojando-nos do nosso amor próprio e de nossa vontade, do apego por qualquer coisa da terra… Morra, morra este nosso verme, como o verme da seda, terminando a obra para a qual foi criado” (Morada 5,2,6).

São João da Cruz traçou o quadro perfeito dessa entrega total ao Absoluto. Quadro maravilhoso para o espírito, quadro horroroso para a natureza. Mas é tal a mensagem paulina: despojar o velho homem, crucificá-lo, enterrá- lo a fim de renascer e ressuscitar em Cristo Jesus.

 Eis o apelo à generosidade (Subida, I 13): “Procura sempre inclinar-te não ao mais fácil, senãoao mais difícil. Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido. Não ao mais gostoso, senão ao menos gostoso. Não ao que é consolo, senão ao desconsolo. Não ao que é descanso, senão ao trabalhoso. Não ao mais, … senão ao menos…

 Para chegar a gozar do tudo Não queiras ter gosto em nada. Para chegar a possuir tudo Não queiras possuir algo em nada. Para chegar a ser tudo Não queiras ser algo em nada”.

Em outras palavras: fazer em tudo e sempre a vontade de Deus e não a tua.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR