Alguns conselhos concretos

1. Nada de inútil e fútil em tua vida. Não pensar, falar, fazer coisa inútil. Quantas bagatelas e ninharias enchem horas e quiçá dias de nossa vida. Tempo precioso para o amor de Deus em nós.

2. Deus só basta. Gravar esse princípio em nossa mente: Deus só. Norma do nosso pensar, querer, falar, agir deve se Deus, Deus só. Desejar somente o que Deus quer. Alegrar-se somente por aquilo que alegra a Deus. Entristecer-se só por aquilo que entristece a Deus: pecado, perda das almas.

3. Radicalismo espiritual. “Deixa tudo e tudo acharás” (Imitação 3,32,1). “Meu filho, Eu devo ser teu supremo e último fim” (Imitação 3, 9,1) Abertura irrestrita ao amor total. É mister renunciar a todos os amores terrestres, principalmente ao amor próprio, em troca do amor de Deus.

A pequena Anita foi ensinada a oferecer seu coração ao bom Deus em sua oração da manhã. Certo dia omite as palavras da oferta. A mãe pergunta: “Hoje não dás o coração a Jesus?” E vem a resposta num sussurro misterioso: “Não posso, mamãe.” “Como é que não podes?” “Já dei ontem, e ainda está lá”… Ah! quem nos dera assim fosse; que bastasse dar uma vez para sempre. É que temos cuidado de perder o coraçãozinho para sempre e mandá-lo registrado, ou até por reembolso. Pudera! Assim retorna sempre de novo ao remetente. Deus quer doação total. Somente assim ele também nos pode dar seu amor total.

E é preciso repetir nossa doação. Repetir todos os dias. Até o coração não mais retornar. Pois é hábito nosso dar e retomar, ou melhor, surripiar pouco a pouco toda a nossa oferta generosa. O único remédio é repetir a doação sempre de novo. E martelar na cabeça e no coração: Deus só te basta e de sobra.

Impõe-se uma revisão de tempo em tempo. Revisão de todo o almoxarifado espiritual. Eliminem-se, sem dó, todos os fios de apego que prendem o grande Guliver prisioneiro dos Liliput…

A frase-chave: por que fazes isto? Por amor de Jesus.

Por que pensas, falas? Sempre por Jesus.

“Torno a dizer: deixa-te, renuncia a ti mesmo e gozarás paz. Dá tudo por tudo.” (Imitação 3,37). O discípulo pergunta como São Pedro: quantas vezes devo renunciarme?

Resposta: “Sempre e a toda hora; no muito e no pouco” (Imitação 3,37)

“Por isto encontram-se tão poucos contemplativos, porque tão poucos sabem desapegar-se das criaturas mortais” (Imitação 3,31)

São Francisco de Sales: “Quando a casa pegou fogo, jogam-se todos os móveis pela janela. Quando o fogo do amor de Deus incendiou um coração, queima-se tudo o que não é Deus”. Deus quer ser amado com todas as forças do coração.

 

Teologia das Realidades Celestes

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