Entusiasmos
 

 

O entusiasmo de sofrer e morrer por Jesus abre seu caminho através da história cristã. O primeiro campeão, após os apóstolos, é Sto. Inácio de Antioquia. Segue-se a turma gloriosa dos demais mártires. Segue-se a longa galeria dos amigos da cruz nos dois milênios cristãos.

Sto. Tomás perguntara a São Boaventura, donde ele tirava tanta doutrina. São Boaventura apontou o crucifixo na parede.

São Francisco de Assis exclama: “Como, ó meu Jesus, tu estás na cruz e eu não?”

São Felício Benício, um dos fundadores da Ordem dos Servitas, moribundo, pediu seu livro. Deram-lhe o breviário. “Não”. Deram-lhe a Bíblia. “Não”. Levantando os olhos, fixou o crucifixo na parede. Tiraram-no e deram-lhe. “Eis o meu livro”. Beijando-o, morreu.

Sta. Brígida teve, aos dez anos de idade, uma visão da paixão de Jesus. Daí em diante não podia mais ouvir falar do crucificado sem chorar . A cruz é contagiosa.

São João da Cruz, fiel ao seu nome, colocou um crucifixo do convento na Igreja, para a devoção pública. E o crucificado lhe perguntou: “Que prêmio desejas, João?” “Sofrer e ser desprezado por teu amor”. E ainda um texto de suas Sentenças (83): “Se queres chegar a possuir Cristo, jamais o busques sem a cruz”.

Sta. Teresa d’Ávila reza: “Ou morrer ou sofrer”. Sta. Madalena de Pazzi: “Não morrer, mas sofrer”.

Sto. Inácio de Loiola disse que pediu para a Companhia, para a sua Ordem, adversidades, sofrimentos, lutas e cruzes… Bom presente!

Século XX
 

 

Isabel da Trindade escreve a sua mãe: “Aspiro chegar ao céu não somente pura como um anjo, mas transformada em Jesus crucificado”.

Escreveu Gay: “Quem na escola de Jesus Cristo interrompe o estudo para cá da cruz, não terminou as classes”.

Emmy Gierl, prostrada na cama por meio século, +1915, aprendeu por experiência: “A cruz é uma carta de Jesus na qual está escrito: Eu te amo”. Teve certa vez um sonho. Viu um anjo apresentar-lhe um cálice de ouro dizendo: “Beba um pouco”. “Mas o que há dentro?” “Sofrimento”. “Ah! então, quero beber tudo”.

E nossa santa carioca, filha do barão do Rio Negro, madre Francisca de Jesus, 1877-1932, passando por pesadas provações e sofrimentos de toda espécie, exclamou: “Mas Senhor, que vos fiz eu?” e logo ouviu dentro de si a resposta: “Tu me amaste”. Outra vez Jesus lhe diz: “Para beber assim, a longos sorvos, na chaga do meu coração é mister ser coroado de espinhos”.

Numa conferência às suas irmãs: “Jesus jamais procurou escapar ao sofrimento. Muito ao contrário. Fez até um milagre, e mais de um, para poder sofrer. Sede, pois, para o futuro, mas generosas e procurai dizer em todas as dificuldades: Deo gratias”.

Conhecida e famosa a anedota de Sta. Teresa d’Ávila. Viajando em tempo de inverno (a Burgos) encontra dificuldades em atravessar os riachos e ribeiros intumescido pelas chuvas. Numa passagem realmente perigosa, ela avança sozinha. No meio, aparece Jesus, para dar apoio. A santa aproveita a ocasião para se queixar: “O Senhor arranja cada dificuldade no caminho!” “Não te queixes, filha; é assim que trato meus amigos.” “Ah!, por isso tens tão poucos”, replicou Teresa.

Uma postulante no Carmelo ouve falar de todas as penitências e mortificações praticadas no convento. “Será que agüentas?” Ela pergunta: “Há um crucifixo na cela?” “Sim”. “Então, não há problema”.

Padre Plus completa a narração: “No Carmelo, os crucifixos são sem o Cristo. Para lembrar ao morador da cela que ele tem de fornecer o material.”

Assim, chegamos aos últimos tempos. Após longas aberrações, retornou Strindberg à fé em Deus e Jesus Cristo, e mandou que se colocasse sobre seu túmulo uma cruz com a inscrição: “Ave crux spes unica”.

E concluímos com Plus: “A humanidade não é bela.

Em geral é gozadora e covarde. Mas que haja em seu seio alguns discípulos de Cristo, apaixonados pela cruz de Jesus, e isto num grau que ultrapassa admiravelmente a média comum, é o que engrandece singularmente esta pobre raça”.

OS AMIGOS DA CRUZ
 

 

“O anúncio da cruz faz-se mister em nosso tempo, porque este aspecto do quérigma cristão está omisso, por várias razões. Mas desde as origens, a confrontação com a cruz do Redentor foi o desafio da mensagem cristã. É preciso devolver-lhe em nossa pregação o lugar devido” (Gnilka)

Teologia das Realidades Celestes

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