As duas coroas

A escolha das duas coroas é um leitmotiv que se repete na hagiografia com certa freqüência.

1. Catarina Racconigi, ainda menina de dez anos, está perante duas coroas a escolher, uma de flores, outra de espinhos. Ela pega logo a de espinhos, a fim de tornar-se mais semelhante a Jesus. Jesus concorda contente, mas responde sorrindo: “Por enquanto és criança; fica para mais tarde”. E mandou-a mesmo.

2. Sta. Catarina de Sena está perante a mesma escolha. Pega logo a coroa de espinhos, e ela mesma aperta-a sobre a cabeça: “Quero estar conforme a tua Paixão”. Jesus: “Então, suporta a tua aflição!”.. (A calúnia da cancerosa: Catarina fizera-se enfermeira de uma mulher cancerosa. E a doente agradeceu falando mal de Catarina, caluniando-a na cidade inteira, como tendo um filho ilegítimo.)

3. Sta. Verônica Giuliani: Jesus aparece-lhe como menino de sete anos, e oferece-lhe duas coroas, uma de espinhos, outra de pedras preciosas. Verônica sente vivo desejo de escolher a de espinhos. Mas prefere deixar a escolha à vontade de Deus. Então, Jesus aperta-lhe a coroa de espinhos sobre a cabeça.

4. Sta. Margarida Alacoque: Jesus segura nas mãos dois quadros; o de uma vida feliz no convento, e outro de uma vida humilhada e crucificada. “Escolha, minha filha, o que mais te agrada. Dar-te-ei as mesmas graças na escolha de um, como do outro”.

Margarida declara querer a vontade de Deus; Jesus insiste na escolha e Margarida repete a primeira resposta. Então, Jesus entrega-lhe o quadro da vida crucificada. “Foi este que escolhi para ti e que me agrada mais; o outro fica para o céu”.

Margarida de Cortona

Jesus fala: “Todo o tempo que ficaste perto da cruz (na igreja dos franciscanos), eu te enriqueci com os dons da minha graça; e teria dado mais se não te tivesses afastado. Volta pois àquela cruz. Fica ajoelhada aos meus pés desde a meia noite até a Noa. Sim, retorna à minha cruz, sem tardar”.

“Não cesses de apregoar minha paixão, e conta a todo o mundo que eu passei minha vida toda em labores e sofrimentos”. “Eu fui buscar-te pelo preço das angústias mais terríveis. Assim, tu te deves chegar a mim pelo caminho das amarguras”. “Estás bem cansada: mas eu estive ainda mais no caminho do Calvário”.

“Mesmo escrevendo um novo evangelho, os homens jamais compreenderão como foi dilacerante minha dor no Jardim das Oliveiras. Eu te garanto, a ti e a toda criatura: não darei, repito, não darei os dons da minha graça a quem não se renuncia a si mesmo, e não toma sua cruz para me acompanhar”.

 “Por que buscar o paraíso na terra, já que nem eu o tenho achado lá?” Margarida: “Por que tenho de sofrer tanto agora?” Jesus: “É que te quero dar novas consolações”.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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