Ângela de Foligno

Ouve da boca de Jesus: “Bendita sejas pelo Pai dos céus, porque tivestes compaixão de minhas dores”.

“A visão da paixão de Cristo que narrei, fez tanto crescer minhas dores… Ao recordar-me, não me posso alegrar; e eu, que costumava ser alegre, o sorriso apagou- se em meus lábios”.

“Uma pobreza perfeita, suma, contínua; depois uma abnegação perfeita, suma contínua; enfim, um sofrer perfeito, sumo, contínuo… este foi o caminho pelo qual eu (Jesus) subi ao céu. Este é o caminho pelo qual a alma deve subir a Deus. Como a cabeça, assim os membros”.

Ângela pediu que lhe desse algo bem seu. E Jesus lhe fez o sinal da cruz.

“Não há outro caminho, não há outro meio que conduza à vida eterna. É este o caminho real, porque traçado por Jesus Cristo mesmo.

 Ele sabia que a virtude cresce nas tribulações, como a rosa entre espinhos; por isso, Ele escolheu sofrer, fez-se escravo, declarou detestáveis os prazeres e comodismos mundanos.

 Depois que o Filho de Deus nos mostrou por sua vida, e de uma maneira tão maravilhosa, o caminho que devemos tomar, a escolha a fazer, quem pode hesitar e recusar-se a segui-lo?

 Bem, eu creio que ninguém, a não se um estulto… Pobres criaturas, fatigamo-nos dia e noite a procurar ansiosamente prazeres, delícias, divertimentos e satisfações vãs. Na verdade, este não é o caminho do homem-Deus… Quem sente ao menos uma centelha de amor por Jesus, empenha- se em segui-lo até o Calvário.

 

Maria, a mãe de Jesus só procurou a angústia, a amargura, a cruz.

“Vinde pois, filhos de Deus, ao pé da cruz, e transformai-vos com todo o esforço neste homem-Deus martirizado por nosso amor. Vinde, contemplai esta cruz… lede o livro da vida”.

“Quem sofre pena, de alma ou do corpo, possui um sinal bem garantido de ser querido por Deus. Coragem, pois, nas adversidades temporais Suportá-las, não digo com paciência, mas com exultação, como sinal de predileção, como prenda da eterna herança. Seja bendita a tribulação, um tesouro do qual não se conhece o valor, e que eu invejo àquele que o possui”.

“A tua cruz é doce cama. Tenho nela por travesseiro a pobreza. E como companhia a dor e o desprezo. Ele mesmo nasceu aí e aí morreu. Deus Pai gostou da pobreza, da dor, do desprezo, e fez deles presente ao Filho. E o Filho não quis outro leito”. “Eis o caminho reto de salvação: amor de Deus e desejo continuo de sofrer por seu amor”.

 Teologia das Realidades Celestes
 

 

 

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