Eva Lavalliere

Ramalhete Espiritual: “Meu nome predileto: Jesus. Meu enfeite predileto: a coroa de espinhos. Meu vestido predileto: a veste batismal. Minha paisagem predileta: o Calvário. Minha oração predileta: dor, gratidão, amor. Minha pátria: o céu”.

Maria Cecília

“Eu queria fazer compreender a todas as almas o valor da cruz. A dor moral ou física é uma mina de ouro inesgotável…

Se soubéssemos o peso de amor infinito que cada uma de nossas cruzes encerra, não poderíamos nem de dia nem de noite cessar de oferecer a Deus súplicas ardentes para recebê-las, e de dirigir agradecimentos delirantes para agradecê-las. Se compreendêssemos o valor de nossas cruzes, estaríamos paralisados de alegria e de felicidades ao recebê-las.

As provações, as tribulações, as angústias provocariam nossos cantos de alegria e de entusiasmo, e espontaneamente entoaríamos o “Te Deum”. Nosso Senhor não é compreendido. Não, o coração tão delicado e tão bondoso do Esposo adorável não é conhecido. Jesus escolheu a cruz como um bem sagrado. Ele abraçou-a com ardor apaixonado. Ele amou-a com loucura. E isto por nós. E quando ele nos apresenta uma parcela desta riqueza mística, nós hesitamos em estender a mão.

Infelizmente, a natureza humana é um abismo de trevas…

Como sente-se feliz o Mestre divino ao ouvir um “obrigado” de gratidão quando nos oferece um espinho de sua coroa, ou algumas gotas amargas de seu cálice. Todos os sofrimentos, todos os suplícios, todos os martírios reunidos pareceriam suaves à minha alma para agradecer a Providência pela mais ligeira aflição”.

O Filho de Deus

Escreve Montalembert: “Mas quem é este amante? Invisível, morto num patíbulo há dezoito séculos, e que ainda atrai a si a juventude, a beleza, o amor? Que aparece às almas com tal brilho e atração, que elas não conseguem resistir? Que se atira sobre as almas e faz delas sua presa? Prende por toda a vida a carne de nossa carne (a filha predileta, fez-se religiosa…). É um homem? Não! É um Deus. Só Deus é capaz de colher tais frutos”.

7. EXPIAÇÃO

NA ESCRITURA

No campo espiritual, mais eficiente do que a oração é o sacrifício, o sofrimento, a dor (física ou moral), a terceira realidade celeste com domicílio na terra. A morte dolorosa de Cristo foi uma expiação da Divindade, insultada pela criatura. O pecado é ofensa a Deus, ingratidão e recusa do amor. Exige reparação e desagravo. A cruz de Cristo satisfez como expiação.

Nossos sofrimentos humanos só têm valor salvífico quando unidos, bem unidos ao da Paixão. E assim mesmo, por bondade divina. É o sacrifício de Cristo, oferecido em união com a rainha das almas vítimas, Maria Santíssima, são os sofrimentos de Jesus que salvam, redimem e expiam. Não as nossas dores.

Teologia das Realidades Celestes

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