Cristo Vítima

Cristo Vítima

Este mistério da nossa colaboração, auxiliar e subalterna, na redenção, o grande mistério da expiação suplente, por substituição, não fazia parte do quérigma primitivo dos Evangelhos sinóticos. Porque não costuma ser próprio e específico dos principiantes na fé e na vida espiritual.

Mas a idéia da expiação e reparação do mal cometido impregna, pervade o Antigo Testamento e seu culto litúrgico com os sacrifícios expiatórios. E o A.T. é “pedagogo para conduzir-nos a Cristo” (Gl 3,24).

No Novo Testamento é Cristo a grande e única vítima de expiação. Entre todos os encargos do Filho de Deus Encarnado, o múnus mais excelente é a redenção.

Ora, ele nos remiu na qualidade de sacerdote. E vítima de seu sacrifício foi ele mesmo. Com este espírito de expiação entrou no mundo (Hb 10,5) e saiu do mundo na cruz.

Paulo vítima

A primeira vítima (declarada) foi Paulo apóstolo.

Como ele foi resgate do martírio de Estevão (como o insinua At 7,58), assim já no dia da sua conversão depara com o sofrimento expiatório, dizendo-lhe Cristo: “Vou mostrar quanto te cumpre sofrer por meu nome” (At 9,16).

E o apóstolo aceita e mantêm-se fiel a esta tarefa salvífica.

O texto clássico (Cl 1,24): “Folgo de sofrer por vós, completando assim na minha carne, pelo corpo de Cristo, isto é, a Igreja, o que ainda falta à paixão de Cristo”. E assim está consignada a doutrina sublime da expiação suplente que, séculos mais tarde, desabrochou em flores multicores, no florão vistoso da devoção ao sagrado Coração.

Sob a luz deste texto devem-se entender outras expressões paulinas, num sentido mais profundo, mais teológico.

Ele considera-se como vítima de salvação. Em Fl 2,17 declara, e com entusiasmo: “Mesmo que deva tornarme vítima sacrifical (literalmente: ser derramado sobre o altar do holocausto como o sangue das vítimas), alegro-me e congratulo-me com todos vós… alegrai-vos também comigo”.

A segunda epístola aos Coríntios (4, 10-12) fala da expiação substituinte por sua grei. Paulo se diz: “Sempre mortificado. A morte atua em mim e a vida (de Cristo) em vós”.

 “Sempre trazemos em nosso corpo os sofrimentos da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Enquanto vivemos, seremos entregues continuamente à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. Assim, a morte opera em nós e em vós a vida”.

Na véspera do martírio renova a sua entrega (2 Tm 4,6): “Já estou para ser imolado” (Como vítima de sacrifício).

E em 2 Tm 2,10: “Suporto tudo por amor aos eleitos a fim de que também eles alcancem a salvação em Cristo Jesus e a glória eterna”.

Teologia das Realidades Celestes

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