Asia Bibi tem 45 anos e cinco filhos

Expresso

Quarta feira, 10 de Novembro de 2010

Mariana Cabral (www.expresso.pt)

12:09

 

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Mulher paquistanesa condenada à morte por

blasfêmia

Asia Bibi, mulher paquistanesa de 45 anos, foi condenada à morte por alegadamente ter blasfemado Maomé, mas garante que na realidade está a ser perseguida por ser cristã num país de muçulmanos.

 

DR

Asia Bibi, uma mulher paquistanesa de 45 anos, mãe de cinco filhos, foi condenada à morte por alegadamente ter blasfemado Maomé. A acusada, que é cristã, nega as acusações de que é alvo e adianta que apenas está a ser perseguida pela sua fé.

A sentença foi aplicada pelo tribunal local de Sheikhupura, perto de Lahore, mas Asia Bibi ainda poderá recorrer da decisão. Até hoje, ninguém foi executado devido a blasfémia no Paquistão, mas vários acusados acabaram por ser assassinados no decurso dos julgamentos, de acordo com o jornal britânico “The Telegraph” .

Asia Bibi estava a trabalhar no campo quando lhe terá sido pedido que fosse buscar água para as funcionárias. As outras mulheres, todas muçulmanas, terão recusado beber água trazida por uma cristã, argumentando que se tratava de algo “impuro”.

A discussão não passou do plano verbal, mas, alguns dias depois, Asia Bibi foi levada para a esqudra local após ter sido cercada por um grupo de pessoas que, alegadamente, lhe terá pedido satisfações sobre a sua fé.

“Lei obscena”

Asia Bibi foi presa, após pressões da comunidade muçulmana, e está na prisão desde junho de 2009. Esta semana, foi condenada à morte.

Várias organizações de direitos humanos já se pronunciaram contra a sentença, que consideram perseguição religiosa. “É uma lei obscena. A lei da blasfémia é usada como uma ferramenta de perseguição”, explica Ali Hasan Dayan, da Human Rights Watch , ao “The Telegraph”.

As duas filhas mais novas de Asia Bibi desconhecem o destino da mãe, de acordo com o marido, Ashiq Masih. “Perguntam-me muitas vezes pela mãe mas não tenho coragem para lhes dizer que a mãe foi condenada à morte por um crime que não cometeu.”

Recentemente, no Irão, Sakineh Mohammadi Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento por adultério, mas as pressões internacionais e o mediatismo do caso impediram, por enquanto, a consumação da sentença.

  Quarta feira, 10 de Novembro de 2010

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