Discípulo

Sua tarefa não é só transmitir a palavra revelada, mas continuar a missão redentora em sua totalidade. Ser alma vítima de expiação com Cristo na cruz.

Knoch (Um é vosso Mestre, 1969) resume a situação do discipulado do modo seguinte:

1. Jesus escolhe quem ele quer e recusa várias ofertas espontâneas.

2. Suas exigências são:

a) Séria reflexão e firme decisão (Lc 14,35 ss).

b) Pobreza voluntária (Lc 14,33). NB: só para o discípulo-apóstolo, não para o simples fiel. José de Arimatéia, Nicodemos, Lázaro de Betânia não estão adstritos a este programa.

c) Liberdade de compromissos humanos; por exemplo, do parentesco (Lc 14,26; Mt 10,37).

d) Renúncia ao matrimônio (Mt 19,29; Lc 14,26).

e) Possivelmente o martírio (Lc 14,27; 9,23; Mt 10,38; Mc 8,34).

Tudo resume-se em carregar a cruz cada dia, ou seja:

estar em situação de vítima expiatória. Pobreza e celibato parecem querer reforçar esta situação. O discípulo é redentor-mirim; assim como o sacerdote do Novo Testamento o é considerado em sentido pleno.

Os dois filhos de Zebedeu ouvem a resposta: “Ireis beber meu cálice da amargura” (Mt 20,23). E Jesus completa: para “Quem entre vós quer ser o primeiro…”, eis o modelo: “O Filho do homem veio para servir e dar sua vida em expiação” (Mt 20,28; Mc 10,45).

Jesus termina a procissão de Ramos repetindo a profecia de sua morte (Jo 12,23-26): chegou o dia da minha glória (morte na cruz)… como o grão de trigo…

“Quem quiser estar ao meu serviço (ser discípulo), siga-me. Porque onde eu estiver, aí há de estar também o meu servidor”. Portanto, o discípulo perfeito, fulltime, seja também vítima no calvário. Daí, em São Paulo, sua vocação à santa Cruz (1 Cor 2,2; Gl 5,24; Rm 6,5).

Daí Sto. Agostinho: “Por que esperam os membros uma sorte mais feliz do que a cabeça”, a qual antes de reinar, consentiu na paixão?

Eis a palavra misteriosa de Jesus em Jo 17,19: “Eu me santifico por eles, a fim de que eles também sejam santificados”.

Na linguagem do A.T., santificar significa destinar ao culto, a ser sacrifício. Traduza-se pois: Eu me sacrifico na cruz, a fim de que eles também sejam sacrifícios e vítimas.

Conclusão final, no Ap 14,4: “São virgens e seguem o Cordeiro aonde ele os conduz”, até mesmo ao Calvário.

Apóstolos, discípulos, pobres e virgens, acompanham a missão de Jesus, cordeiro-vítima, em tudo. O convite universal para o cristão é compromisso de honra para os discípulos, antigos e hodiernos.

 Teologia das Realidades Celestes