Orígenes

 

Seu espírito penetrante, intuitivo e profundamente piedoso já descobriu a pista certa.

“Além de Cristo, também seus filhos tiram os pecados dos santos, isto é, dos cristãos, a saber: os apóstolos e os mártires…” E a prova: São Paulo ofereceu-se com vítima de imolação (2 Cor 12, 13 e 2 Tm 4,6).

“Os mártires, segundo Ap 6,9, assistem ao altar. Ora, assistir ao altar é função sacerdotal, e o ofício do sacerdote é interceder pelos pecados do povo… Já não merecemos sofrer perseguição por Cristo. O demônio sabe agora que o sofrimento do martírio produz perdão dos pecados.

Por isso, ele não quer promover contra nós perseguições públicas… No entanto, N. Senhor conhece os seus; e em pessoas, em que não se espera, tem ele seus tesouros.

 Eu não duvido que também nesta assembléia estão alguns conhecidos só por ele, os quais valem perante ele, em sua consciência íntima, como mártires, dispostos a derramar, se necessário, seu sangue pelo nome de N. Senhor Jesus Cristo. Não duvido estarem aqui algunsque carregam a sua cruz e o seguem” (In Numeros 10).

Falando dos holocaustos da lei mosaica, Orígenes explica que o cordeiro é figura de Cristo. Os outros animais de sacrifício talvez figurem os profetas que derramaram o seu sangue, desde Abel até Zacarias. Vítima é Paulo, porque deseja ser anátema pela salvação de Israel (Rm 9,3).

“E enquanto houver pecados é mister haja vítimas…”

Verdade que o sacrifício de Cristo foi tão valioso “que uma vítima bastou pela salvação do mundo inteiro”… “Convém porém sacrificar ainda vítimas do coração. Festejemos, pois, no espírito, este dia e degolemos sacrifícios espirituais”…

No fim do capítulo declara: “Fiz um esboço; só Deus pode esclarecer tudo” (In Números 10).

Comentando Rm 12,1, Orígenes distingue quatro classes de vítimas após os apóstolos: os mártires, as virgens, os celibatários e (firme na linha escatológica) aqueles casados que seguem 1 Cor 7,5.

 

Tertuliano

 

Escreve apostrofando o pecador: “Teus irmãos vertem lágrimas sobre ti, é o Cristo que suplica ao Pai por ti; penitência!”.

Como montanista, combate o costume de abreviar a penitência pública do pecador através da intercessão de um mártir.

 

São Cipriano

 

Defende esse privilégio dos mártires, verdadeira expiação por suplente. Só recomenda não facilitar.

 

São Jerônimo

 

Aproxima-se mais da idéia com a famosa sentença: “O monge não tem ofício de doutor, mas de penitente, chorando sobre si ou sobre o mundo”.

 

Sto. Ambrósio

 

Explica: “Como o fermento invade a massa, assim o luto, a prece, a dor da Igreja aproveita ao pecador penitente.

 

Sto. Agostinho

 

Moisés intercedeu por Israel (Ex 27), para nosso exemplo.

“Quando nossos méritos nos pesam, impedindo de sermos amados por Deus, podemos se auxiliados servindo-nos dos méritos daqueles que ele ama”. Agostinho deve ter pensado em sua santa mãe, cujas orações e lágrimas o reconduziram à salvação. Mas a modéstia cristã hesita apontar nomes de ascetas ao lado de Moisés. A época heróica do martírio havia passado.

Teologia das Realidades Celestes

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