Cassiano

Porta-voz dos monges do Oriente informa-nos:

1. Tarefa especial, ou até diria, o esporte dos monges do Egito foi a luta contra os demônios. Luta “apostólica”, visando libertar a Igreja e seus membros da influência maléfica do Mal.

 Expulsam o demônio seguindo a receita evangélica de Mt 17,21: “Não se expulsam, senão por força de jejum e oração”, portanto, pela penitência expiatória supletória.

Aliás, os monges aplicaram o axioma evangélico, em primeiro lugar, à sua própria pessoa, e não lhes veio a idéia de bancar redentores da humanidade pecadora. O rival também era de tamanho superior e a luta desigual para humanos (São Paulo ter-lhes-ia gritado: revesti-vos de Cristo).

2. Outro encargo monástico é a prece de petição pelo povo de Deus. Esta “terceira espécie de oração”, de interceder pelo próximo, cabe de um modo especial aos “perfeitos”.

3. Ainda o caso dos irmãos monges na Vida dos Antigos Padres (citado por Sto. Tomás, Supl 13,2): Foram à cidade vender seus trabalhos. Um caiu na tentação com mulher e, sentindo-se indigno, não quis retornar ao mosteiro.

 

Então, o irmão fingiu ter caído também no pecado: “Mas vamos voltar, acusar-nos e fazer penitência.” Dito e feito. Poucos dias depois, Deus revelou que um era inocente e o outro tinha sido perdoado por causa do irmão.

Remata o cronista: isto se chama dar sua alma pelo irmão.

São Bento

Responde pelo monaquismo ocidental. Indica modestamente como objetivo da vida monástica, no prólogo da regra, que “o monge participa da paixão de Cristo, a fim de ter também parte no seu reino”.

Humilde, não se julga competente para completar a redenção de valor infinito. Pelo próximo, seu irmão, o monge oferece o saltério recitado em nome da Igreja.

Quanto aos méritos de sua vida penitente, nem pensa. E tudo o mais está aos cuidados de Cristo, chefe, supremo abade e Pai da cristandade.

Teologia das Realidades Celestes

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