Pecados

O primeiro assunto para a reparação são os próprios pecados. Quem porventura não tiver material, faça como Sto. Agostinho, e terá assunto e motivo de sobra: “Deveis crer que Deus perdoou todos os pecados nos quais a sua graça vos impediu de cair”.

Pode expiar pelos outros quem ainda tiver a pagar as próprias dívidas. Pode e deve. Deixa tuas dívidas pessoais para depois, e pensa primeiro em socorrer aqueles teus irmãos que estão em perigo de perder tudo. teu caso pessoal não tem pressa. Mas quero crer que, pagando dívidas de outros irmãos em Cristo, recebes também teu desconto na mesma proporção.

Todavia, ser vítima, no sentido pleno, que talvez se consagra a Deus por voto de vítima, supõe ter liquidado todas as dívidas pessoais, manchas e defeitos da alma.

Parece. Falando em linguagem técnica: após a noite do espírito e suas purificações. Então, todo o seu ser e tudo quanto faz é expiatório. À semelhança do Salvador.

Justiça – Amor?

Um estrago feito num objeto material, por exemplo, num automóvel, exige reparação por justiça. A lesão da boa reputação, embora assunto imaterial, é questão de justiça. Mas há outros domínios onde a justiça não basta (Rondet).

 Uma injúria entre marido e esposa, entre pais e filhos, não se repara por um ato de justiça, por generosa que seja a reparação; exige também amor. Entre Deus e nós: o pecado ofende a Deus e exige desagravo por justiça.

Jesus, por sua paixão dolorosa satisfez plenamente à justiça do Pai em nosso lugar. Mas há mais: “O pecado é injúria à grandeza de Deus e ofensa à sua honra, mas acima de tudo é recusa de amar” (Rondet). O amor de Deus foi até a loucura. Compreensíveis as loucuras de amor dos santos. Ainda mais sendo aguilhoados pelo pouco caso da humanidade, por seu ódio ao amor de Deus. Portanto, o amor é elemento indispensável na expiação.

Mas por que Deus exige expressamente de alguns santos também as macerações e mortificações? É a parte da justiça. Porque o pecado é injúria, é injustiça. É o que falta para completar a paixão. São as dores do Cristo místico.

“Nós e Cristo somos o Cristo total”, diz Sto. Agostinho.

O sofrimento do Cristo físico é completo. Mas a parte que cabe ao corpo místico ainda está faltando. Quase se pode dizer: que ainda falta tudo. Precisa ser completado.

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