EXPIAÇÃO E MAGISTÉRIO

 O Magistério explicou e recomendou aos fiéis o desagravo, a expiação e a reparação em quatro encíclicas.

Pio XI

Dedicou ao assunto toda a encíclica Miserentíssimus, 1928: “A tarefa da expiação suplente é de Redemptor todo o gênero humano”. Portanto, não só os místicos, mas todos os cristãos comuns podem e devem oferecer a Deus desagravo pelos pecados da humanidade. “Nenhuma criatura poderia expiar os crimes da humanidade”. Por isto, Cristo se ofereceu (Hb 10,5).

Podemos, e até devemos, juntar nossas preces e expiações às de Cristo. “Principalmente na Santa Missa os fiéis ofereçam-se como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus (Rm 12,1). São Cipriano não hesita em afirmar que o sacrifício do Senhor não se celebra com devida santidade se a nossa oblação e nosso sacrifício não lhe correspondem”.

Jesus pediu a Hora Santa e a comunhão reparadora.

“A paixão expiatória de Cristo é renovada, continuada e completada em seu corpo místico, como disso dá mostras o Senhor Jesus, dizendo a Saulo: por que me persegues? (Atos 9,5)… É justo, pois, que Cristo, padecendo ainda em seu corpo místico, deseje ter-nos como sócios em sua expiação. E nossa ligação com ele exige-o.

Visto que pertencemos ao seu corpo (1 Cor 12, 27), é preciso que tudo quanto a cabeça sofra, seja partilhado por todos os membros”.

Em 1934, Pio XI retorna ao tema: “A alma crucificada com Cristo por um martírio do coração adquire, para si e para os outros, abundantes frutos de salvação. São estas almas puras e sublimes que padecendo, amando, rezando, realizam na Igreja um apostolado silencioso, proveitoso para todos”.

Pio XII

Abordou o tema três vezes na: Mystici corporis, 1943, na Mediator Dei, 1947, na Haurietis aquas, 1956.

Citamos alguns textos da “Mystici corporis”: “Cristo adquiriu a Igreja com seu sangue (Atos 20, 28), e seus membros gloriam-se de serem remidos por uma cabeça coroada de espinhos: prova manifesta de que as obras mais gloriosas e exímias só nascem da dor” (1Pd 4,13)…

“A fim de remir a humanidade por meio de suas dores e torturas, o Verbo de Deus quis usar da nossa natureza.

Assim também, a Igreja usa da sua, a fim de continuar a obra iniciada” (1 Cor 12,21)…

“Nosso Salvador quer ser coadjuvado, na execução da obra redentora, pelos membros do corpo místico, quando se trata de distribuir aquele tesouro… mistério tremendo e nunca assaz meditando, que a salvação de muitos depende das orações e mortificações voluntárias dos membros do corpo místico… Se muitos ainda vivem no erro, longe da verdade católica … isso acontece porque não somente eles mas também os fiéis não rezam com fervor por essa causa”…

“Nossas dores devem unir-se aos padecimentos do Divino Redentor. Seja isto ofício de todos. Principalmente nesta tremenda deflagração bélica… Ouçamos ainda Leão Magno, quando afirma que pelo batismo nos tornamos carne do Crucificado”.

Teologia das Realidades Celestes

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