Concílio

O Concílio Vaticano II vê na ceia pascal a renovação cotidiana da “obra de nossa redenção” (LG 3). E o povo de Deus dela participa “sendo vítima com a Vítima” (LG 11).

 Todo o povo de Deus participa do sacerdócio de Cristo; portanto, ofereça-se “como hóstia viva, santa, agradável a Deus” (Rm 12, 1; LG 10).

“E todas as ações da vida cotidiana dos fiéis unidas aos sacrifício eucarístico… tornaram-se hóstias espirituais” (LG 34).

 

EXPIAÇÃO NA REFLEXÃO TEOLÓGICA

1. Fomos solidários, tristemente solidários, no pecado original para a nossa perdição. Por mercê de Deus, somos agora também solidários na redenção com Cristo para a salvação do nosso irmão.

2. A razão disto é a grandiosa realidade do corpo místico. A humanidade remida forma com seu Redentor um organismo espiritual. E se a cabeça do corpo místico é vítima, deseja-se, ou melhor, exige a lógica que os membros também sejam vítimas pois devem ser da mesma natureza.

3. O batismo enxerta-nos na morte de Cristo (Rm 6). Somos enxertados como galhos de oliveira (Rm 11,17) no Cristo crucificado, em Cristo-vítima. Cabe, pois, a todos os batizados o poder e o dever de desagravo, de reparação.

4. O sacerdócio espiritual, participado por toda a cristandade, impõe também a todos o poder e o dever de expiar o pecado, a ofensa a Deus.

5. Pertencemos a Cristo. Ora, sua missão essencial foi a reparação, o desagravo ao Pai celeste, a redenção. E há um só Cristo para todos, e este, crucificado (1 Cor 2,2). Há um só, igual para todos, protesta São Paulo (1 Cor 1,13).

Cristo mesmo explicou aos discípulos de Emaús e a nós, os epígonos: “Ó homens, sem critério e sem visão; tão lentos de coração para crer nos profetas: Não era necessário que o Cristo padecesse tudo aquilo para entrar na glória?” (Lc 24,25). Aqui também vale: “Eis que vos dei o exemplo” (Jo 13,15).

Sofrer?

Por que sofrer, se Jesus já sofreu o bastante, em super-abundância?

Resposta: “O mundo está todo entregue ao mal” (1 Jo 5,19). Apesar da salvação sangrenta por Cristo, o mundo continua despreocupado em sua faina de pecar, de ofender a Deus. As mágoas do coração de Deus continuam, depois do Calvário, profundas como no tempo do paganismo. Quão numerosos são os pecadores profissionais e vitalícios! Provavelmente constituam até a maioria.

“Há abismos em volta de nós” (Walcherem)

Estes pecadores já gastaram a herança paterna das graças de salvação. Já esgotaram sua quota, sua ração.

Necessitam de mais graças, de mais auxílios divinos.

Como consegui-los? Fácil: rezando. Mas eles não rezam nunca. Por preguiça, ou por princípio, isto é, por estupidez.

São abismos que se mostram hiantes. Jesus já fez sua parte. Então a misericórdia de Deus recorre a seus irmãos e irmãs na terra. Recurso de emergência. De S.O.S., ao pé da letra. E o Salvador aparece de novo na terra, caminhando por entre as nações. E pergunta aqui e acolá: Não queres aceitar algum sofrimento suplementar por teu irmão em perigo? E corações generosos respondem: sim.

Teologia das Realidades Celestes