Ressuscitou

Jesus está no céu, não sofre mais; já passou tudo.

Mas sofreu na terra. Sofreu a valer.

1. “Quem ama, compreende”, diz Pio XI, citando Sto. Agostinho.

2. Semanalmente repetimos no saltério: “O impropério partiu-me o coração. Desfaleci. Esperei por quem se apiedasse de mim, mas não veio ninguém. Por quem me confortasse, mas não encontrei” (Sl 68,21).

3. Cristo na terra continua perseguido. Como ele mesmo em pessoa explicou a São Paulo, no caminho a Damasco: “Por que me persegues?”

4. Cristo na terra continua sofrendo, ferido, chagado por nossos pecados. Nossos pecados são outras tantas feridas no corpo de Cristo. Merecem especial amor os pecadores porque são a parte mais doente, mais dolorida do corpo místico de Jesus. São feridas que pedem o bálsamo do bom samaritano. Pedem o sofrimento expiatório de almas vítimas. A agonia de Cristo continua até o fim do mundo.

5. Assim como os nossos pecados do século XX acharam um jeito de se apresentar no ano trinta do século I, no horto, na Via-Sacra, no Calvário, assim também os nossos desagravos, nossos sofrimentos de expiação, nossas pobres palavras de consolo a Jesus encontrarão também o jeito de retroceder os 1900 anos, e acompanhar a Cristo em sua Paixão.

6. Não somente o Cristo doloroso é objeto de desagravo, mas toda a Santíssima Trindade, que é ofendida e injuriada todos os dias, e a todas as horas, pelos pecados das criaturas. E é um assunto sempre atual, não é reminiscência histórica.

Dolorismo

Mas este desejo de sofrer é coisa desnatural, capaz de criar complexos. Não! Jesus é o primeiro a estimular este culto ao sofrimento, o primeiro e o mais interessado.

Ele deu o exemplo. E ele não sofreu de nenhuma doença; nem física, nem metal. “Tenho de passar por um batismo e como anseio, porque se realize” (Lc 12,50).

Desde o início, a cruz foi escândalo para os judeus e loucura, isto é, estupidez para os gregos.

 Teologia das Realidades Celestes

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