Redenção Objetiva

 

 

Na redenção objetiva, no resgate primordial (na aquisição dos méritos salvíficos, como diz a Escola) não há possibilidade da cooperação humana, com exceção da cooperação da Santíssima Virgem. Só um Deus podia oferecer satisfação cabal, expiação condigna; ainda mais que todas as criaturas estavam vinculadas ao pecado original.

Unicamente Maria Santíssima, a imaculada de todo o pecado, está em condições de contribuir à redenção desde o seu primeiro passo. É co-redentora, junto com Jesus, auxiliar e subalterna. No Calvário, Maria Santíssima tornou-se nova Eva, tornou-se mãe de todos os remidos, segunda mãe da humanidade (Cf. Vaticano II, LG c.8)

Redenção Subjetiva

 

A cooperação na redenção subjetiva, isto é, na aplicação dos frutos da redenção no Calvário, é acessível à criatura. É a missão da Igreja, corpo místico do Redentor.

Tal foi a super-abundância da redenção que ela se transmite aos membros.

A Santa Missa é oferta de toda a Igreja. A Prece Eucarística I reza: “Nós teus servos, e todo o teu povo santo”.

Os graus de cooperação variam: em primeiro lugar está Cristo-cabeça; em segundo lugar estão os sacerdotes; em terceiro lugar o povo de Deus. Os três oferecem e atual sacerdotalmente e os três são vítimas oferecidas no altar, enquanto que na cruz Jesus estava só com Maria Santíssima, nas duas funções, de sacrificador e de vítima.

O grau de cooperação depende da união com o Cristo místico.

Obras

 

Todas as boas obras, amar, rezar, sofrer, têm tríplice valor: meritório, impetratório e satisfatório, ou expiatório.

1. O valor meritório é intransferível porque corresponde ao grau de amor de Deus; e sendo um assunto pessoal, não admite substitutos.

2. Valor impetratório, funda-se e apoia-se na misericórdia de Deus. Seu âmbito é vasto como o universo. Seu poder e alcance, infinitos como a misericórdia divina. Sua eficácia para a pessoa orante é infalível diante das promessas formais de Jesus nos Evangelhos.

3. Valor expiatório. O perdão da culpa não admite suplente. É assunto íntimo e pessoal. Só se extingue pela conversão, pelo arrependimento. Perdão da pena, sua remissão, reparação da injúria cometida contra Deus, admite suplente. Condição: estar na graça de Deus. Sua eficiência não é simples conveniência baseada na bondade divina.

Como somos parte do mesmo organismo místico, nossos bens são comunicáveis E assim podemos oferecer à justiça divina um bem equivalente, condigno, como alguém que paga dívida de amigo seu.

“A penitência de um pode transferir-se a outro mediante a caridade, pela qual somos um em Cristo” (III 13,2).

4. A teologia atribui a toda ação virtuosa um valor de merecimento por conveniência (de côngruo). Assim, podemos merecer  para o nosso próximo até a graça primeira, inicial, de conversão, coisa impossível em nosso próprio proveito, porque o pecador não tem direitos ou méritos sobrenaturais

A grande graça da perseverança final do próximo podemos merecer na base da amizade com Deus. Nosso própria perseverança na graça de Deus, porém, não é objeto de mérito; deve ser pedida pela prece. E esta prece é de efeito infalível, prometido por Jesus.

Mas deixemos de lado estas opiniões teológicas sobre a transmissão de graças ao próximo. Para nós basta saber: as boas obras que mais contribuem para esta transferência de graças e favores divinos são: amor, oração, sofrimento, a conhecida trilogia. E mãos à obra. Deus saberá distribui-las aos necessitados.

Teologia das Realidades Celestes

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