Vaidade

Os autores espirituais previnem do perigo de nos considerarmos alma vítima, quando somos perfeitamente ou quase inúteis no reino de Deus, e usurpamos o título para fomentar nossa vaidade.

 Advertem que é ridículo qualquer um intitular-se alma vítima, hóstia, holocausto: carregar-se entrementes o dever de cada dia.

 Mas o abuso não tolhe o bom uso. E é mister gravar, na mente de todos, que o nosso sacrifício e sofrimento tem valor de satisfação e expiação unicamente porque Cristo morreu primeiro na cruz, “sinal dos tempos da graça” (1 Tm 2,6).

Em seguida, incorporou-nos pela graça santificante e pelo caráter batismal em seu corpo místico. E agora, só agora, estamos em situação de poder expiar; capacitados para o desagravo a Deus.

Tudo quanto oferecemos em expiação são os sofrimentos de Cristo na cruz, dos quais participamos como filhos de Deus do Filho de Deus, como partes de seu corpo místico. 

Sta. Teresa d’Ávila, planejando a fundação de um novo Carmelo, disse: “Teresa e um ducado de ouro não valem nada. Mas Jesus, Teresa e um ducado valem muito”.

Nossa ação só terá grandeza e eficiência se for unida, bem unida à do Redentor. Só então é que vale a palavra do Papa Leão Magno: “Pelo batismo tornamo-nos carne do Crucificado”.

 É sempre a velha história: o homem pensa poder dar a Deus algo de valor, quando de fato nada tem, nada que possa interessar a Deus. E para o reino só interessa se for um ato sobrenatural, isto é, realizado em colaboração com Cristo pela graça e pelo amor. Só assim, estará no nível. E desagravará a Santíssima Trindade apenas na proporção dessa união com Cristo Místico.

Por isso, precisamos arder. Sta. Teresinha queria ser apóstola, missionária no mundo inteiro, profeta… Parece entusiasmo poético. Mas sua vida é comentário autêntico, mostrando que não era simples fraseado, mas realidade divina, ardente de amor.

Foi dito: oferecer-se como vítima de expiação é presunção tremenda para os principiantes na vida espiritual (Marin). Todavia, Pio XI afirma: “A expiação é dever de todos os batizados”… Enfim, há vítimas de todos os graus de intensidade, desde o número um, até quase o infinito.

Desde o humilde pecador, recém-convertido, rezando de braços em cruz o terço pelos companheiros, até a Virgem-Mãe do Salvador, rainha das almas vítimas. O Mestre aceitou de boa mente também o óbulo da pobre viúva “porque deu de sua indigência tudo quanto tinha” (Mc 12,44).

Presunção

Teologia das Realidades Celestes

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