Como expiar

Expiação, desagravo são necessários enquanto a terra pecar contra o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A compaixão pala Paixão de Jesus visa também o desagravo da Divindade, pois o martírio de Jesus na cruz é mais uma das injúrias do pecado contra Deus. Porque os pecadores crucificam novamente o Filho de Deus e fazemno alvo de ludíbrio (Hb 6,6).

Expiação, satisfação, reparação, compensação realizam-se: ou, primeiro, pagando a pena devida, o que implica e supõe a conversão do pecador; ou, segundo, suprindo a recusa de glorificar, de adorar, de amar a Deus, recusa esta, implícita em todo o pecado.

A número um, implica sofrer mais ou menos, como veremos depois. A número dois, porém, é acessível a todos: consolar o Cristo da paixão, consolar com palavras, por falta de melhor jeito. Um anjo do céu consolou Jesus na agonia do Horto (Lc 22,43). Daí a Hora Santa, na qual rezamos e pedimos perdão e misericórdia, por nós e por todos. E principalmente amamos. O pecado é sempre recusa de amor. E é recusa do amor infinito de Deus, amor de Deus que foi até à loucura.

Desagravo de injúria reclama sofrimento; por isso oferecemos a Deus os sofrimentos de Jesus. Eles foram sofridos como compensação das injúrias do pecado. Oferecemos em desagravo, as Cinco Chagas, o precioso Sangue, a ferida do Coração. Oferecemos o sacrifício da missa, pois a Santa Missa é a paixão de Jesus cotidianamente presente entre nós.

Enfim, em questão de sofrimentos, aproveitamos antes o trabalho já feito. E bem feito, na cruz. Depois, aceitamos os sofrimentos que a bondade de Deus se dignar enviar-nos. Pedir sofrimentos? Dizem os tratadistas que requer prudência (mas o pedido vai a Jesus e ele tem prudência, segundo Mt 7,10).

Requer, sim, humildade. Ou melhor, requer convite.

Siga a atitude de Sta. Teresinha.

Concluindo

 

1. Em primeiro lugar, e sempre à mão, nossas palavras de consolo, de compaixão, de amor. Jesus pediu a Sta. Margarida Alaquoque a Hora Santa nas quintasfeiras, das onze à meia noite. Pediu a comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras de cada mês.

2. Sofrer, se tiver uma oportunidade (!) com e por Jesus. “Doentes são radioemissores da graça”. Valor realmente expiatório cabe à dor, física e moral, tão somente se é sofrida por amor de Deus. O pecador apegado ainda ao pecado, portanto inimigo de Deus, não está em condições de oferecer a Deus algo que seja do seu agrado.

O valor expiatório sobe com a intensidade e a duração do sofrimento. Qual a escala de valores, ignoramos.

Mas podemos dizer que um pequeno sofrimento, oferecido com um grande amor, agrada mais que o inverso. E tudo que agrada, satisfaz e desagrava.

3. Sofrer a vida cotidiana. Para reparar, nada mais indicado do que a vida cristã de cada dia, vivida na fidelidade ao dever, ao trabalho, na caridade fraterna, vivida num grande amor a Deus e, eis sua terceira dimensão, associada à paixão de Jesus, oferecida em expiação.

4. Sugerimos uma penitência-mortificação: contentar-nos apenas com Deus. Em sua forma elementar, é essencial à existência cristã e indispensável. Mas o amor de Deus eleva-a a altura vertiginosas. É o desapego dos tratados ascéticos. Ou expresso em outra fórmula e sob outro ângulo: é procurar em tudo, apenas o agrado do Pai. Rigorosamente em tudo, apenas o agrado do Pai.

Rigorosamente em tudo, de manhã à noite. Como fez Jesus:

“Faço sempre o que é do agrado do meu Pai” (Jo 8,29). Eis a suma de toda espiritualidade. Eis a suma santidade.

Teologia das Realidades Celestes

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