1. CINCO CHAGAS

“Abriu-lhe o lado com a lança e saiu sangue e água” (Jo 19,34).

O rei Afonso I Henriquez enfrenta em Ourique, 1139, cinco reis mouros. Cristo teria-lhe aparecido mostrando-lhe as cinco chagas. Grato pela vitória, fez figurar no brasão de Portugal as cinco chagas de Nosso Senhor: as quinas de Portugal.

A devoção às cinco chagas de N. Senhor surge na espiritualidade cristã, no segundo milênio, particularmente com o primeiro santo estigmatizado. Um dos primeiros textos é de um franciscano, Tiago de Milão.

“Jamais quero separar-me do crucificado. Nele quero construir três tabernáculos: um na chaga das mãos; outro na chaga dos pés e o terceiro na chaga do lado. Aí, falarei ao seu coração e obterei tudo quando desejo. Por esta entrada penetrarei até ao íntimo banquete do amor” (Estímulo). do amor

Em nossos tempos, Jesus desejou recordar à cristandade estas cinco fontes de salvação. Escolheu como mensageiro uma visitandina, Maria Marta Chambon, 1841-1907.

Maria Marta Chambon

Seu exterior não era atraente, dizem. Algo desajeitada. Linguagem rústica. Inteligência frusta. Analfabeta. Portanto, estamos longe do sorriso cativante de Sta. Teresinha. Mas é eleita de Deus, portadora de graças. Ainda criança, com nove anos, viu Jesus na cruz, na sexta-feira santa. “Não me disse nada, só ficou olhando”, narra mais tarde. Já religiosa viu-o de novo, coroado de espinhos, a dizer-lhe: “Eis a quem tu procuras”. Marcada pela graça, entrou no convento de Chambéry com vinte e um anos de idade, como irmã conversa Nunca chegou a aprender a ler ou a escrever. As superioras faziam-se de secretárias da mensagem de Deus. As superioras cederam somente depois de prudentes exames por diretores espirituais e, digamo-lo também, após experimentar os efeitos salutares e inequívocos. Jesus começou por pedir que Marta dormisse de braços em cruz, no chão da cela. Não recebendo licença, passa as noites em claro, enquanto que no chão dorme sono bem profundo como uma criança.

Em seguida Jesus exige que a irmã carregue dia e noite um rude cilício. Depondo-o por obediência e com alegria, pois o cilício causa-lhe dores vivas, Jesus se vingou, mandando outros sofrimentos tão agudos que foi preciso ceder.

Ainda no mesmo ano de 1866, Jesus quer que ela ponha à noite uma coroa de espinhos. Jesus mesmo ensinou-lhe trançá-la. Certa noite, parecia-lhe a dor insuportável. Jesus lhe diz: “Minha filha, aperte ainda um pouco mais” e a dor desta vez desapareceu.

Abril de 1867, Jesus manda que peça licença para comungar diariamente, permissão que logo foi concedida. Mas em maio de 1867, Jesus pede que Marta passe as noites em adoração diante do Santíssimo. Sacramento.

Assim passou a maior parte da vida sem dormir, passando depois, o dia todo em trabalhos domésticos, ininterruptos e fatigantes.

Em compensação, via na santa comunhão (e parece que sempre), pela vida toda, o Menino Jesus. Em compensação, também aconteceu que, interrogada como agüentava passar tantas horas da manhã de joelhos, em oração e em jejum, respondeu: “Não sei, não percebo; a gente não pensa nisto”. Fica cansada? “Oh! não, a gente nem sabe mais onde está”. E o que diz a Jesus? “Oh!, nada, a gente se ama”.

Durante quatro anos exigiu-lhe Jesus completa abstenção de comida e bebida, deixando-lhe porém muitas vezes a sensação de fome e sede.

Por um ano teve também as cinco chagas visíveis no corpo; invisivelmente, só Jesus sabe por quantos anos.

Teologia das Realidades Celestes

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