“Por voto obrigou-se Marta a oferecer as chagas a Deus Pai, ao menos de dez em dez minutos, pela conversão dos pecadores, pelo triunfo da Igreja, pelas almas do Purgatório. De fato, foi sua prece, interrompida apenas pelos êxtases. Inúmeras vezes subiu ao céu a prece ardente:

“Pai eterno, eu te ofereço as chagas de N. Senhor Jesus Cristo para curar as chagas das almas. Perdão e misericórdia pelos méritos das santas chagas”. Se o seu fervor arrefecia um pouco, Jesus em pessoa encarregava-se de reclamar, em queixa amorosa: “As minhas chagas estão sempre olhando para ti, mesmo que tu as esqueças…

Estão sempre frescas; é preciso oferecê-las como da primeira vez. Já tas mostrei tantas vezes. Devia ser o suficiente. Mas não, tenho de inflamar o teu zelo sempre de novo”. E apresentou-se no lastimável estado a que o reduziram os pecados.

Certa vez, Jesus mostrou-se com uma coroa de três fileiras de espinhos grossos, espetáculo tão doloroso, que Marta não pôde conter-se e exclamou: “Jesus, deixa-me ter parte também”. Imediatamente, foi atendida.

Outra vez, Jesus apresentou-se novamente na sua vestimenta de dor e repetiu: “É preciso copiar-me”. Pouco depois, Jesus como que pede licença: “Minha filha, queres ser crucificada ou preferes ser glorificada?” A resposta generosa do amor; “Jesus, prefiro ser crucificada”.

No retiro de 1868, Jesus lhe diz: “Retira-te para o interior de teu coração e fecha a porta. Queremos estar sozinhos”.

Ao deitar-se de noite sobre o chão, com os braços em cruz, ouve Jesus dizer-lhe: “Dize-me agora: Jesus, eis a tua vítima”. Mas diante da cruz oferecida, a natureza humana se revolta. Até meia-noite durou a luta.

Jesus insiste fazendo ver as torturas de sua paixão até ouvir o fiat. “Filha, tua superiora te deu como livro de retiro o crucifixo, eis-me aqui”. Marta passou a noite toda nesta visão dolorosa. “Tu és mártir. Prepara-te para receber todas as minhas chagas, uma após outra”.

Irradiando

Jesus escolhera sua comunidade para irradiar e iniciar a devoção às cinco chagas. “Filha, não penses que posso ficar surdo às almas que invocam minhas chagas.

Não tenho o coração ingrato das criaturas humanas. Meu coração é grande. Meu coração é sensível. A chaga do meu coração abre-se em toda sua largura para bastar a todas as vossas necessidades”.

“Para contemplar bem as chagas de Jesus, diz-lhe Maria Santíssima “é mister não ter nenhum apego no coração”.

Premidas pelas instâncias de Jesus e por suas promessas, as superioras introduzirem a Hora Santa em louvor das cinco chagas, feitas todas as sextas-feiras por cinco voluntárias, e a recitação diária do terço das chagas.

Houve oposição; e se soubessem que na origem de tudo estava a Irmã Maria Marta, irmã leiga e analfabeta, teria havido ainda mais. Jesus mandou perseverar no empenho. “Mas se quiserem, posso escolher outro mosteiro”.

Uma irmã, cuja inteligência fazia autoridade, liderava a oposição. Então Marta, em nome de Jesus, transmitiu-lhe um segredo entre Jesus e ela, que somente ela podia saber. Surpresa, convenceu-se da origem divina e tornou-se defensora infatigável e propagandista das chagas de Jesus.

E Jesus a renovar suas promessas: “Minhas chagas são vossas… Quanto mais e maior a contradição, quando mais numerosas os empecilhos, tanto mais ricas correrão minhas graças”.

E as almas das religiosas tornaram-se conchas abertas de incenso. Jesus aprova o louvor: “Alegra-me ver como estais venerando as minhas chagas. Agora, posso repartir com mais abundância as graças da redenção”…

“Vossos mosteiros atraem as misericórdias de Deus sobre as dioceses em que se encontram. Quando ofereceis minhas chagas ao meu Pai, eu contemplo com satisfação vossas mãos levantadas ao céu… E alcançais tudo aos necessitados da graça… Senti-vos felizes; pois eu vos ensinei uma oração que me desarma e vence: ‘Meu Jesus, perdão e misericórdia pelos méritos das vossas santas chagas’. As graças que estais recebendo, por esta prece, são graças de fogo; vêm do céu e retornam ao céu”.

Teologia das Realidades Celestes

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