Dois anos depois, em 1845, Jesus empenha-se mais a fundo e revela sua face, alvo das blasfêmias; pede-lhe que seja uma Verônica amorosa a enxugar-lhe a face ensangüentada e insultada.

“Estou procurando Verônicas para enxugar e adorar minha face divina”. A visão não foi imaginativa. Tendo visto pinturas, também do quadro (dito) de Sta. Verônica, não soube dizer se era semelhante ou não.

Os blasfemadores foram mordidos pela serpente e pegaram a raiva; o remédio, a vacina, é olhar a face de Cristo Jesus.

A humilde porteira do Carmelo oferece, inúmeras vezes, sua humilde homenagem à santa face de Jesus e exclama num arroubo; “Apertemos estas feridas divinas, e o sangue precioso correrá em abundância sobre os pecadores”.

 Jesus reafirma-lhe sempre de novo: “Pela santa face conseguireis a salvação de muitos pecadores”. Ela nos conta um segredo: “Eu acompanho a Santíssima Virgem, como sua empregadinha, junto àqueles que viajam do tempo para a eternidade”. Jesus; “Eu te seguro nas minhas mãos como uma flecha. Agora vou lançar essa flecha contra os meus inimigos. Para combatê-los dou-te como armas a minha paixão, os instrumentos do meu suplício.

As armas dos meus inimigos causam a morte; as minhas, dão a vida”.

“Se tu soubesses a vantagem para tua alma de sofrer estas penas, agradecer-me-ias por tê-las dado. Bem mereceste estas penas, por tuas infidelidades. Mas não é para castigar, é por bondade que te dou estes sofrimentos”.

“Estes blasfemadores cortaram-lhe o coração, e fizeram dele um segundo Lázaro coberto de chagas. Jesus convidou-me a imitar os cães que consolavam o pobre, lambendo-lhe as feridas. Render-lhe-ia um grande serviço empregando minha língua a glorificar todos os dias o santo Nome de Deus desprezado e blasfemado”.

“Nosso Senhor fez-me ver a multidão de almas que caem continuamente no inferno, convidando-me a socorrê-las… é obrigação de toda alma religiosa. Sua misericórdia abriria os olhos destes pobres cegos, se almas caridosas pedissem por elas graça e misericórdia. Disse-me N. Senhor que, assim como Ele vai pedir conta aos ricos pelos bens temporais que lhes confiou para socorrer aos  pobres, com maior severidade pedirá contas a uma carmelita, a uma alma religiosa, rica de todos os bens de seu esposo, possuindo os tesouros dos méritos de sua vida e de sua Paixão, pelo uso que deles fez; verificará se soube haurir nestes tesouros para os pobres pecadores”.

Jesus: “Enquanto o homem está na terra, está num estado de infância. Por esta razão deve, como criança pequena, recorrer sem cessar à mãe”.

Os últimos dois anos introduzem a irmãzinha no mistério da maternidade espiritual, como colaboradora, associada da Mãe dos homens, que é a Co-redentora das almas pecadoras, justamente com seu divino Filho. A última intervenção de Jesus é um apelo angustiante, em 1848:

“A Igreja está ameaçada por terríveis tempestades… reza… reza… Ensinou-me a rezar aquela prece que ele rezara na quinta-feira santa: “Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me destes” (Jo 17,11).

O fim de 1847 e o ano de 1848 passa em purificação e provações místicas e expiatórias. Em março de 1848 ouve Jesus dizer-lhe: “Logo verás minha face no céu”. A 8 de julho de 1848 morre feita imagem do Crucificado, do seu amor, uma chama só, o corpo inteiro.

Teologia das Realidades Celestes

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