6. “Pela Santa Face obtereis a salvação de muitos pecadores”.

“Cada vez que ofereceis minha face ao meu Pai, minha boca pede misericórdia”. Salvar a própria alma é fácil.

E vai num instante. Um ato de amor e a graça divina já invade e inunda a nossa alma.

Salvar os outros é um caso diferente. Custa. Mas por quê? Deus não é Onipotente? Sim, mas ele não quer escravos forçados em seu reino. E se a graça de Deus convida cada dia dez, vinte ou cem vezes, o homem é capaz de responder cem vezes não. Até o raio quente do sol divino derreter o gelo de um coração humano, demora, demora. Há corações supergelados.

Cabe aos devotos da Santa Face dirigir os raios da face luminosa do Salvador até o coraçãozinho começar a esquentar devagar e se entregar cativo ao amor divino.

A conversão de um pecador é obra maior que a criação do mundo inteiro (F. W. Faber)

Ouçamos o repicar dos sinos e o júbilo festivo dos anjos e bem-aventurados com a conversão de um pecador.

7. “Por esta oferta nada vos será recusado. Se soubésseis quão grata é ao Pai a vista da Santa Face do seu Filho!”

Portanto, peçamos o dom de crescer sempre mais, Deus adentro, no amor, na entrega total, na disponibilidade completa à vontade de Deus. Renovemos e repitamos sempre o Fiat: Eis a tua serva; faça-se a tua vontade em tudo e sempre.

8. A Santa Face é a moeda do reino do céu. Com a moeda gravada com a efígie do príncipe pode-se comprar tudo: assim também com aquela moeda celeste.

Tratemos pois, de encher a carteira com as moedas do reino, e poderemos comprar tudo. Tudo mesmo? Riquezas?

Não, Deus te livre! É um perigo. Saúde? Mas para que? Sofrer é mais útil para os dois, para Deus e para você. Pede graças do céu. Pede para degelar o coração tão frio, tão egoísta e enchê-lo com o fogo do amor de Deus. Pede coisas que duram para sempre. Pede graças que te acompanharão até o além, na vida eterna.

9. “Quanto mais cuidado tiverdes em consolar e desagravar o rosto insultado do Salvador, tanto mais ele restituirá à nossa alma, desfigurada pelo pecado, a beleza primitiva, a inocência batismal”.

Que consolo! Que gentileza da misericórdia divina esta oferta generosa do Redentor! Corramos a essa oficina de conserto, a esse salão de beleza, segurando na mão o bilhete premiado: a imagem do Cristo insultado, coroado de espinhos.

10. “Os que contemplam as feridas da minha Face, um dia irão vê-la radiante de glória”. “Os que defendem a minha causa, defenderei também a sua perante o Pai e dar-lhes-ei o reino. Não morrerão da morte eterna. Enxugarei a face de suas almas, apagando as manchas do pecado, restituindo-lhes a pureza batismal”.

Eis, pois, uma regeneração perfeita e um sólido passaporte para a viagem do tempo para a eternidade.

A devoção à Santa Face consiste, em primeiro lugar, em consolar a Jesus pelas injúrias sofridas manifestando nossa compaixão. Em segundo lugar, consiste em louvar, abençoar, santificar o nome sagrado de Deus e do seu Unigênito, em desagravo das blasfêmias que os ímpios lhe lançam em rosto.

Consiste, em terceiro lugar, em oferecer a Sagrada Face ao Pai Eterno. Entende-se oferecer os sofrimentos do Salvador, infligidos durante a paixão ao seu rosto, sofrimentos físicos e morais, ferimentos, insultos e tudo sobre o fundo da coroa de espinhos.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting

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