SAGRADO CORAÇÃO

“Abriu-lhe o lado com uma lança” (Jo 19,34)

A chaga do Coração de Jesus, da qual nasceu a Igreja e os seus sacramentos, da qual jorram todas as graças da salvação, simbolizada pela costela de Adão, da qual saiu a mãe de todos os viventes, sempre teve seus devotos.

Figure aqui o mais belo texto (de Sto. Agostinho, in Joannem , 120): “O evangelista serviu-se de uma palavra atenciosa. A fim de não dizer: transpassou ou feriu, escreveu “abriu o seu lado” (Fazendo ver que) aí se descerrou como que a porta da vida, da qual jorraram os sacramentos da Igreja, sem os quais não há acesso àquela vida que é a verdadeira.

Aquele sangue foi derramado pela remissão dos pecados, e aquela água mistura-se ao cálice da salvação. É lavacro e bebida. Foi pré-figurado pela porta que Noé foi mandado fazer no lado da arca, pela qual entraram os seres que não deveriam perecer pelo dilúvio, figurando a Igreja.

 Por isso, a primeira mulher foi feita do lado do homem adormecido, e foi ela chamada vida e mãe de todos os viventes… O segundo Adão adormeceu de cabeça inclinada, a fim de criar-se uma esposa (aIgreja) que jorrou do costado do adormecido. Ó morte que faz reviver os mortos! Que sangue é mais imaculado que este? Que chaga mais salutar que esta?” 

No segundo milênio São Bernardo, penetrando, encontrou o Coração de Jesus visível e acessível, através da chaga aberta. Seus filhos, os teólogos de Cister, inauguraram o culto do Coração de Jesus. Os místicos seguiram-nos de perto (Guerricus, Drogo).

Sta. Lutgarda, +1245, ainda jovem colegial e interna na abadia, aguarda a visita de um pretendente, quando surge de repente ao seu lado Jesus Cristo, mostrando-lhe a chaga do lado e dizendo-lhe: “Não procures mais os devaneios da afeição de uma criatura; eis aqui o que deves amar e como deves amar”.

Anos depois, já consagrada a Deus pelos votos solenes, receberá de Deus o dom de curar doenças. A afluência de doentes causara-lhe numerosas distrações na oração. Queixou-se a N. Senhor; “Para que serve esta graça que me atrapalha tantas vezes de unir-me a Ti?”

“Teu coração, Senhor, eu quero teu coração”. “E eu também, responde Cristo, eu quero o teu”. “Assim seja, Senhor!”.

Tiveram papel importante na propagação do culto ao Sagrado Coração de Jesus as monjas de Helfta, as duas Matildes, a de Magdeburgo e a de Helfta, e Gertrudes.

Para elas o Coração de Jesus é sede do amor divino, é fonte de graças de redenção, é suplente de todas as nossas deficiências, é expiação de nossas faltas, dá valor às nossas obras É centro ao redor do qual gira a vida espiritual, e oferecimento ao Pai do coração do Filho predileto.

  Teologia das Realidades Celestes