Maria da Encarnação

Mas houve uma sua precursora, no mesmo século, Maria da Encarnação, a ursulina, 1599-1672.

Em 1635, Deus Pai lhe diz: “Pede-me pelo Coração de Jesus, meu Filho tão amável. É por ele que te julgarei”.

“Esforço-me por praticar os conselhos que dou, especialmente ofereço-me como vítima perpétua ao Pai Eterno, pelo Coração de seu Filho bem-amado. Quero que isto seja minha principal tarefa espiritual”.

Trinta anos mais tarde ela redige a seguinte prece:

“É através do Coração de Jesus, caminho, verdade e vida, que me aproximo de Ti, Pai Eterno. Por este coração divino, eu Te adoro por todos aqueles que não te amam. Dou-te graças por todos os cegos voluntários, que por desprezo não te agradecem.

 Por meio deste divino Coração quero satisfazer os deveres de todos os mortais. Em espírito, faço a volta ao mundo para procurar todas as almas resgatadas pelo sangue precioso de meu esposo divino, a fim de satisfazer por todas este divino Coração.

Eu as abraço para apresentá-las por meio dele. E por ele peço sua conversão. Ora, Pai Eterno, podes Tu tolerar que elas não conheçam o meu Jesus, e que não vivam nele que por elas morreu? Vê, divino Pai, elas nem vivem ainda; fazei-as viver por este Coração divino.

 Sobre este Coração adorável apresento-lhe também todos os operários do evangelho, a fim de que seus méritos se encham do teu Espírito Santo…

Ó meu esposo divino, por tua divina Mãe, quero render-te graças. Apresento-te seu sagrado Coração, como apresento o teu ao teu Pai. Permite que te ame por este mesmo Coração que tanto te amou”.

Margarida Alacoque

Faltava realçar o desagravo, a reparação, a expiação.

Eis a missão de Sta. Margarida. Jesus fê-la fazer voto de virgindade aos seis ou sete anos, e explicou-lhe anos mais tarde: “Eu te escolhi para minha esposa; e eu quis ser o primeiro em teu coração”.

Assim a filha de São Francisco de Sales foi encarregada de nos revelar, de um novo modo, as dimensões do Coração de Jesus, “a largura, altura e profundidade do amor de Cristo” (Ef 3,18).

 

“Oferece-te a Jesus como uma tela branca, que aguarda a mão do pintor”, diz-lhe a mestra de noviças. E Jesus explica-lhe: “Sim, irei pintar aí os traços da minha Paixão: amor, renúncia, solidão, sacrifício”.

Preparando-se para a profissão, Jesus lhe diz:

“Lembra-te que é a um Deus crucificado que irás desposar. Deves, pois, tornar-te semelhante a ele, despedindo-te das alegrias da vida humana, pois não haverá mais para ti a não ser as que serão atravessadas pela cruz”.

Na mesma ocasião: “Vou fazer-te ler no livro da vida que contêm a ciência do amor: meu coração… Eis a chaga do meu coração. Nela deves morar, agora e sempre, pois que aí conservarás a veste da inocência com que te revesti”.

Teologia das Realidades Celestes

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