E enfim a grande revelação e a grande promessa, em 1675: “Eis o Coração que tanto amou os homens. Que a nada se poupou para lhes provar seu Amor. Em paga, só recebo da maior parte deles ingratidão, irreverências, sacrilégios, frieza e desprezo com que me tratam neste sacramento do amor. E o mais doloroso é sofrer isto de corações que me são consagrados”.

Forneceu o fundo escuro a heresia jansenista ainda em pleno vigor nos ambientes eclesiásticos. E Jesus reclama desagravo. Desagravo:

1. Por uma festa especial na sexta-feira, após a oitava do Corpo de Deus.

2. Pela comunhão reparadora na primeira sexta-feira de cada mês.

3. Pela Hora Santa, expiação particular pela agonia no horto. Jesus ainda acrescenta doze promessas para os devotos do seu Coração. Especialmente promete a graça da perseverança final para os que fizerem a novena de comunhões nas primeiras sextas-feiras do mês.

Margarida julga-se indigna e incapaz de tarefa tão santa, por faltar-lhe tudo. Jesus replica: “Toma este meu Coração. Aí há tudo para suprir o que te falta”. A resposta é válida para nós.

“Quero transformar-te num santuário, no qual o fogo do meu amor fique a arder perenemente”. Tal qual o fogo perene do Templo de Jerusalém. Tal qual a lamparina do Sacrário. Ofereçamos, nós também, o nosso coração.

“Eis os maus tratos que me dão”, queixa-se Jesus das comunhões, não sacrílegas, mas tíbias e frias. “É como derramar meu sangue sobre um cadáver podre”, portanto, sem produzir efeito. Que expressão forte, Jesus usou!

Estando cansado, foi ter com Margarida, certo de ser bem recebido. Apareceu como Ecce-homo. “Ninguém quer oferecer-me um lugar de descanso, por causa do meu aspecto”; todos fogem dele como de um criminoso, de um leproso.

No ano de 1682, Jesus revela-se coroado de espinhos, carregando a cruz, coberto de sangue e de contusões. O sangue escorria de todas as feridas, tingindo o chão. E o olhar triste a perguntar: “Será que não há ninguém que tenha compaixão, que queria sofrer um pouco comigo?”

Margarida ofereceu-se imediatamente, e no mesmo instante uma cruz pesada, de pontas de ferro, foi pesar em seu ombro. “Recebe a cruz, e planta-a no teu coração”.

O Salvador pede o amor da criatura, amor, desagravo, gratidão. Uma voz a repetir: estou cansado de esperar; meu povo eleito a me trair…

Jesus mostrou-lhe o Coração ferido: “Eis as feridas que recebo deles (das almas consagradas)… Os outros batem em meu corpo; mas eles atingem meu coração. O coração deles é tão vazio, sem amor, são religiosos só de nome!”

“Uma alma justa pode alcançar o perdão para mil pecadores. Não deixes meu sangue ficar inútil para tantas almas”.

Teologia das Realidades Celestes

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