Catarina de Gênova Gênova, 22 de março de 1473.

 Uma jovem senhora, irradiando perfume e beleza, entrara com passos rápidos na igreja. Vestido, porte, movimentos, gestos manifestam a dama perfeita da sociedade.

 Toda a cidade de Gênova estimava e admirava a incomparável dona Adorno, a rainha das festas. Bela e admirada, mas não era feliz. Louco foi o Carnaval daquele ano.

 Verdade é que só tomara parte por amor ao jovem marido, que não era capaz de passar sem essas festas mundanas.

No início, Catarina ia raras vezes, depois ia sempre.

Todavia, em todo o barulho da festa e das músicas, não era capaz de esquecer Deus, uma obsessão, embora já rezasse pouco e comungasse raras vezes. Muitas vezes comparou o contraste de outrora com o de então.

Queria tornar-se religiosa. Mas tinha de casar-se. Os pais o exigiam. Quem sabe, seria o anjo da paz e reconciliação dos dois partidos políticos. E o jovem marido era homem mundano. Não era mau, mas leviano.

Podia deixá-lo só, no turbilhão das festas? Não; por isso ela o acompanhou. Mas sentia-se cada vez mais aborrecida, enjoada dessa vida.

“Que devo fazer?”, perguntou na sala   do convento à sua irmã Simbiana. “Vai confessar-te”, disse ela. Esperando o sacerdote, de súbito foi inundada por uma luz divina.

 Num instante viu todos os refolhos mais íntimos de sua alma. Sua miséria; sua covardia; seu mundanismo; sua infidelidade.

E do outro lado a incansável e amorosa fidelidade do bom Pastor. “Agora não posso confessar-me”. Correu para fora. Correu para casa. Derramando lágrimas.

Repetindo: “Nunca mais pecar, nunca mais”. Chegando em casa, encontra o Divino Salvador que subia a escadaria de mármore, carregando a cruz, coberto de chagas a sangrar.

O Sangue divino descendo em filetes vermelhos sobre o mármore branco. Parecida inundar todo o palácio. E Catarina a ouvir seu clamor: “Por ti, por ti”, a arder de amor estuante em seu coração.

 Armela Nicolas, +1671

 Empregada doméstica, analfabeta. Gosta de ouvir a leitura da vida dos santos. Certa vez, ouviu a narração da Paixão de Cristo.

Inflamou-se de compaixão por Jesus, e de dor por seus pecados. Daí em diante, por onde andasse, o que estivesse fazendo, via-se sempre banhada e orvalhada pelo precioso Sangue.

Tomando sua comida, parecia-lhe que todos os bocados estavam embebidos no Sangue de Jesus. Não podia mais ver sangue ou cor vermelha sem sentir-se quase sufocada pela emoção.

Às vezes, transitando pelas ruas da cidade, estas parecia-lhe tintas de sangue, como outrora em Jerusalém.

Sta. Margarida Alacoque

 Jesus: “Apresenta muitas vezes ao meu Pai o Sangue de meu Coração. Oferece todo o meu Sangue divino. Seu preço é infinito”.

Teologia das Realidades Celestes

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