5. A CEIA DO CORDEIRO

Triste Realidade

“As pessoas que retornam da missa, falam e riem; julgam não terem visto nada de extraordinário. Não desconfiam de nada, porque não se deram ao trabalho de ver. Parece que acabam de assistir a algo muito simples e natural. No entanto, é algo que, mesmo tendo acontecido só uma vez, seria suficiente para arrebatar em êxtase um mundo apaixonado”.

“Elas retornam do Gólgota e falam da temperatura.

Essa indiferença preserva-as de ficarem loucas. Se alguém lhes dissesse que João e Maria desceram do Calvário conversando sobre coisas frívolas, elas retrucariam que é impossível. Mas elas o fazem”.

“Acabam de assistir à execução capital de um condenado.

Um instante depois, nem pensam mais nisto. Esta falta de imaginação impede-as de sofrer vertigens e de morrer”.

“Ficaram por vinte e cinco minutos numa igreja sem compreender o que aí acontecia. Algumas ficaram sentadas. Outras ficaram em pé também durante a elevação.

A realidade é a mesma, apresentada sob um aspecto que leva em consideração a fraqueza humana. Os israelitas não podiam suportar o brilho da face de Moisés, que no entanto era apenas um homem.

Escondido sob as espécies de pão e de vinho está mais que um anjo, e certamente mais que Moisés. Uma das características mais estranhas da Santa Missa é que ela não mata as pessoas que a assistem…

Elas ouvem a Santa Missa tranqüilamente, sem lágrimas sem coração! Coisa admirável! Que seria preciso para emocioná-las?”

“Para ver até que ponto elas são pobres de coração, é preciso examinar o que se faz por sua causa. O que se faz todos os dias.

 Em todas as partes do mundo para salvar suas almas desatenciosas. Sua pobreza de coração, não é grande nem pequena: é infinita.

Se elas pudessem espantar-se, estariam salvas. Mas fazem de sua religião mais um de seus hábitos, isto é, algo comum e ordinário.

E é este hábito que condena o mundo” (Julien Green)

Teologia das Realidades Celestes

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