A grande graça dos cristãos

Na verdade, é a Santa Missa, a ceia pascal, o ponto culminante de toda a religião cristã (Vat. II, SC 10)

Teologia e piedade cristã repetem, desde séculos, com São Francisco de Sales: o sacramento eucarístico é “o sol da vida espiritual; é o centro da religião cristã; é o coração da devoção; é a alma da piedade; é o inefável mistério” (Filotéia 2,14)

Uma única missa equivale a milhões de ações humanas, das mais heróicas. O santo Cura d’Ars diz, com aqueles expressões originais que o caracterizam: “Todas as boas obras juntas não equivalem a uma única Santa Missa… Nem o martírio se compara com a Santa Missa.

No martírio um homem dá a Deus sua vida humana; na Santa Missa, Deus dá sua vida por nós… Mesmo as boas obras de toda a humanidade por milhares de anos… Que felicidade assistir a Santa Missa. Se compreendêssemos, iríamos morrer de alegria. Só no céu iremos compreendê-lo”.

“Preferiria perder o mundo inteiro, se o possuísse, do que perder uma Santa Missa” (Berniéres)

Uma única seria suficiente para salvar o mundo.

Verdades sabidas e sempre esquecidas.

O Cardeal Newman, ainda arcediago anglicano, cogitava tornar-se católico. Um amigo sincero quis dissuadi-lo:

“Vais perder teu bom ordenado (equivalente a cinco mil dólares anuais). Newman respondeu: “Uma única missa verdadeiramente vale muito mais”.

A Santa Missa presta a Deus Uno e Trino um culto perfeito. Tudo quanto a humanidade deve em homenagem ao Ser Absoluto, uma Santa Missa o realiza com valores infinitos. Adoração, ação de graças, expiação, súplica, amor, tudo isto recebe Deus em cada missa, em tal abundância e perfeição, que não pode exigir mais, pois é Jesus Cristo em pessoa que celebra a Santa Missa. E nós, pequenos servos de Deus, sentimo-nos imensamente gratos e satisfeitos por podermos prestar a Deus um serviço perfeito.

A Santa Missa não é uma devoção, é uma ação. O trágico na vida de certas almas é que sempre querem, e nunca realizam. Ora, na Santa Missa há ação. Fogo cai do céu, imola o Cristo e incendeia seus irmãos na terra.

Ação desencadeia ação.

Quantos se queixam que sua vida é tão incompleta, tão penosa, tão torturada por inúmeras e insignificantes bagatelas. Nada de grande, de sublime. E os anos passam, e esfriam, e endurecem meu coração! Vida tão inútil, tão banal, tão vazia!… Engano seu, minha alma!

Assiste, digo melhor, celebra com o sacerdote o sacrifício da nova Aliança. Faze todos os dias a oferta do Reino de Deus e viverás uma vida cheia, rica, divina. Lança todo teu cuidado sobre o Redentor. Identifica-te com o Filho de Deus feito homem, Salvador e vítima. E vive com ele sobre o altar. E tua vida pequena tomará a altura de Cristo. Sinto que um júbilo perpassa tua alma.

Bem-aventurados! Vosso é o Reino!

A liturgia romana achou a fórmula sublime, que deve brilhar no frontispício de cada novo dia como sol irradiando luz, calor, felicidade: “Todas as vezes que se celebra a memória deste sacrifício, realiza-se a obra da nossa redenção” (Secreta do 9.º Dom. depois de Pentecostes).

A Santa Missa, o ponto culminante de cada dia de tua vida.

Teologia das Realidades Celestes

Anúncios