Um boato

Se um dia corresse pelo mundo a notícia inaudita que N. Senhor voltou à terra… tomou domicílio em Jerusalém, ou em Roma, e atende a todos… que alvoroço seria!

De todas as nações e regiões sairiam as romarias a fim de ver o Filho de Deus humanado. A televisão daria as primeiras imagens. Mas cada um quereria ir ver pessoalmente.

A gente iria guardar as últimas economias para fazer esta viagem, ao menos uma vez na vida. A gente iria sangrar os pés na longa marcha. A fim de falar só uma noite. Até chegar a nossa vez. Entramos com o coração a bater. E estamos face a face com Jesus. “Ó Senhor, quanto coisa para dizer, para pedir. Ó Jesus, vê de quanto peso estou carregado!… tira isto ou ajuda-me carregar…”

Iríamos cair de joelhos e pedir a sua bênção, para o corpo e para a alma. Quantas preces ardentes iriam jorrar com ímpeto do nosso coração, estando lá perante N. Senhor, e vendo-o face a face….

Mas não é boato, é realidade. Pois ele veio. Está morando aqui na terra. Se tivéssemos fé, fé viva, aquela fé que transporta e sacode, revolve a fundo um coração humano! Se tivéssemos essa fé, então nossas Igrejas estariam cheias, dia e noite. Os adoradores iriam rodear os sacrários, abismados pela presença divina.

Mãos súplices levantar-se-iam ininterruptamente ao Filho de Deus, pedindo sua bênção santa e toda poderosa. Não haveria mais alma amargurada que não recebesse aqui alguma doçura. Não haveria mais sofrimento na terra que não buscasse, e não recebesse aqui alívio e conforto. Não haveria mais no mundo criatura desconsolada.

Não poderia mais haver, se tivéssemos fé, fé viva, fé santa, forte. Aquela que se levanta como um vendaval, e arrasta num turbilhão para o alto. Longe do marasmo e da mesquinhez terrestre. “Ó Filho de Deus, dai-nos essa fé!”

Se tivéssemos essa fé viva, forte, iríamos acorrer com ímpeto ao sacrifício eucarístico, à Santa Missa… Que mistério! Que mistério profundo como a eternidade: O Filho de Deus apresenta-se todos os dias ao homens dizendo-lhes: “Vou levantar minhas mãos ao Pai. Minhas mãos chagadas. Ponham nelas vossas falhas e culpas, vossas privações e frustrações, vossas misérias do corpo e da alma. Vou levar tudo aos pés do trono de meu Pai e vou pedir por vós, e meu Pai me atende.”

Que mistério, profundo como a eternidade! Todos os dias N. Senhor aparece entre nós, de braços abertos, e pergunta: há alguém aqui a carregar um peso? Há alguém padecendo necessidades? Dai-me tudo. Vou levar tudo ao céu.

 Na Santa Missa, no Pai-Nosso, Jesus abre os braços e reza conosco. Ele alcança tudo. Se tivéssemos fé… Mas somos frios, desinteressados, atarefados demais; não há tempo para o Reino de Deus.

Se tivéssemos fé viva, luminosa e ardorosa, nunca falharíamos ao banquete do Reino, à grande ceia pascal que nos alimenta para a vida eterna. Quando o corpo tem fome, damos-lhe comida. Quando a alma tem fome, recebe drogas. E Jesus a oferecer-nos sua própria comida, aquele pão e vinho que transfundem em nossas veias a vida de Deus, luz e fogo. Se tivéssemos fé, estaríamos incendiados, estuantes de amor…

Teologia das Realidades Celestes

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