A Paixão e Morte foram para Jesus a ação ascética mais perfeita, ponto culminante de toda a sua vida espiritual: o abandono total à vontade do Pai.

 O primeiro Adão quis teimar a fazer sua própria vontade. O segundo Adão vê sua principal tarefa na glória de Deus Pai, em fazer a sua vontade; rejubila quando chegou a hora de lhe dar a mais sublime prova, a suprema.

É para Jesus ocasião de júbilo, honra e glória eterna. “Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho para que teu Filho te glorifique” (Jo 17,1).

Acima de tudo a glória de Deus. E esta é realizada pela submissão total à vontade de Deus. Maior coisa a fazer do que a vontade divina, não há.

E nossa “salvação” consiste na união mais íntima, na identificação com Cristo e com seu holocausto. Na incorporação afetiva e efetiva em seu mistério pascal. Eis a primeira, a mais excelente de todas as normas práticas ascéticas.

A Santa Missa é presença do Calvário. Eis a ascese mais perfeita: participar da Santa Missa. O caráter batismal põe-nos em contato vital com a cruz.

Repetindo-se os contatos, repetem-se seus efeitos em nós, criaturas sujeitas à historicidade, incapazes de realizar transformações substanciais de uma vez.

 Por essa razão, repetimos “a obra da nossa redenção” litúrgica todas as manhãs, até se completar nossa redenção, real e efetivamente.

Diz Sto. Tomás (III 79,7): “Em cada missa multiplica-se a oblação, e por isso multiplica-se o efeito”. Ou, como diz Ambrósio de um modo mais drástico: “Eu que peço todos os dias, preciso do remédio todos os dias”.

Presença

A teologia esforça-se em investigar o mistério salvífico da Santa Missa, da ceia eucarística em sua relação com o Calvário.

Sacerdote e vítima são idênticos, estão substancialmente presentes. A ação sacrifical, oblação e morte, renova-se e repete-se em cada missa de uma maneira invisível, não sangrenta, mas real.

Nas duas “Missas”, na cruz e no altar, a ação sacrifical é substancial e essencialmente idêntica. Não há concorrência, nem paralelismo, mas repetição. A Santa Missa só é possível porque a antecedeu o Calvário. Verdade que cada repetição tem valor infinito.

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