Uma opinião recente contribui com uma nova focalização do problema: a Santa Missa não repete a morte de Jesus no Calvário, mas torna-a presente para nós.

Não há dois ou mais sacrifícios, mas um só: o da morte física de Jesus, que se faz presente a todos os séculos posteriores, à semelhança de um video-tape.

 Todavia, com uma diferença substancial: a presença é real. Presença real (e eficiente) da ação sacrifical do Calvário.

Charles Journet (La Messe, 89) comenta: A onipresença espacial é inteligível.

A onipresença de Deus no tempo é um mistério. Para nós há passado, presente e futuro. Perante Deus tudo é presente. A eternidade de Deus exclui toda sucessão: Deus co-existe (Sto. Tomás,,14,13).

 O ato sacrifical de Jesus na cruz é conhecido de Deus desde a eternidade. Transitório no tempo, é sempre presente e existente em Deus.

A onipotência divina pode estender o efeito, a força, por contato, a todo o tempo posterior. E assim, a Santa Missa não é um outro sacrifício, mas é uma outra presença.

Presença operativa porque se trata de uma ação, não de uma substância.

Presença mistérica, sacramental: não sangrenta, debaixo de véus simbólicos. Como nas numerosas hóstias consagradas está presente o único, idêntico Cristo, assim se multiplica em relação a nós o ato da morte de Jesus. Presença real, não metafórica; no entanto, em conceito análogo.

Como na ceia da Quinta-Feira Santa, no Cenáculo de Jerusalém, não há dois Cristos, mas um só, e este presente em duas presenças, uma corporal e outra sacramental (natural-sacramental), assim a relação entre cruz e missa.

O sacrifício é numericamente um e idêntico; diferente sua presença: histórica e respectivamente mistérica. O conceito presença é análogo; o conceito Cristo é unívoco.

Na cruz Jesus sacrificou sozinho. Mas instituiu a Ceia pascal e, de um modo insigne, o sacerdote. Somos oferentes e oferecidos, sacerdotes e vítimas, parcelas do Sumo Sacerdote, partículas da grande vítima.

Na cruz, Jesus agiu como segundo Adão, como representante da humanidade. Renovando o sacrifício do Calvário, na Santa Missa, faz participar todos os seus membros místicos, a fim de integrar a todos na economia da salvação. Pela Paixão e Morte, Jesus entrou na glória.

Mas o cristão, ainda na terra, deve seguir o mesmo caminho para atingir sua perfeição. O sacrifício da cruz deve tornar-se sacrifício de cada cristão, pois somos um único organismo.

O que faz a cabeça, convém a todo o corpo. Estamos em comunhão sacrifical com Jesus, não somente de maneira subjetiva e afetiva, mas real e objetivamente.

Como a paixão e morte no Calvário foi sua ação mais meritória, assim para cada cristão a participação na Santa Missa deve ser o ponto culminante de cada dia de sua vida espiritual.

 Teologia das Realidades Celestes –  Padre João Beting CSsR

Oferecemos – Sacrificamos

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