“Mediator Dei”

A encíclica de 1947  introduz o fiel na profundeza do mistério pascal:

“A missa é verdadeiro sacrifício. Por uma incruenta oblação, o Sumo Sacerdote faz o que fez na cruz… O mesmo sacerdote, a mesma vítima… os mesmos fins: glória de Deus, ação de graças, expiação, súplica…”

“O homem, qual filho pródigo, dissipou todos os bens recebidos do Pai Celeste, e assim está reduzido à extrema pobreza… Os méritos imensos, simplesmente infinitos deste sacrifício não conhecem limites. Mas requer-se que cada ser humano entre em contato vital com o sacrifício da cruz…”

“Na cruz, Cristo agiu sem a Igreja… mas quando se trata de repartir o tesouro, ele se comunica com sua esposa e quer sua oblação, sua colaboração… O sacrifício do altar é o meio que distribui os méritos da cruza aos fiéis”…

“É oferecido todos os dias, recordando-nos que não há salvação senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus mesmo quis que esse sacrifício fosse continuado desde a aurora até ao pôr-do-sol, para nunca se interromper o hino de louvor e gratidão…”

“A Igreja oferece e é oferta; sacerdote e vítima… Aquela frase do apóstolo, “Senti em vós o mesmo que Cristo sentiu”, exige de todos os fiéis que tenham em sua mente os mesmos afetos do divino Redentor… de adoração e de louvor…”

“Exige, enfim, que todos nós nos submetamos à morte mística na cruz, junto com Cristo, a fim de podermos reivindicar a sentença de São Paulo: “Com Cristo estou pregado na cruz” (Gl 2,19).”

“Deve-se dizer que os fiéis também oferecem a divina vítima, embora de uma maneira diferente (do sacerdote).

O ritual e os textos litúrgicos mostram que a oferta da vítima se faz pelo sacerdote junto com o povo”…

“Pelo Batismo, os fiéis tornam-se membros de Cristo-Sacerdote. E pelo caráter que lhes fica gravado na alma, são designados para o culto divino. E assim participam do sacerdócio do próprio Cristo, de acordo com sua situação”…

“Aquela imolação incruenta, em que Cristo, após as palavras da consagração, se torna presente sobre o altar em estado de vítima, é realizada apenas pelo sacerdote, enquanto representa a pessoa de Cristo; mas não enquanto representa os fiéis Depois, o sacerdote coloca a vítima sobre o altar e oferece a Deus Pai a mesma oblação em honra da Santíssima Trindade e em prol de toda a Igreja. É nesta oblação, em sentido restrito, que participam a seu modo os fiéis..”

“O povo oferece o sacrifício, não porque realiza o rito litúrgico visível, tarefa que compete só ao ministro designado por Deus, mas porque une seus votos de louvor, de súplica, de expiação e de ação de graças ao sacerdote.

Mais ainda: une-os aos do Sumo Sacerdote, a fim de que sejam entregues ao Pai”… “A fim de que a oblação obtenha pleno êxito, é preciso que os fiéis acrescentem ainda algo: é necessário que eles se ofereçam a si próprios em sacrifício, segundo 1Pd 2,5 e Rm 12,1… Junto com o Sumo Sacerdote e por meio dele ofereçam-se como vítimas espirituais”…

“Todos os elementos litúrgicos, pois, convergem para que nossa mente se impregne da imagem do divino Redentor pelo mistério da cruz, conforme a palavra do apóstolo dos gentios: “Com Cristo estou pregado na cruz; já não vivo eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2,19).”

“E assim nos tornamos uma vítima junto com Cristo para maior glória do Pai Eterno”.

Teologia das Realidades Celestes

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