Sacerdócio dos fiéis

No Calvário, na redenção objetiva, Jesus agiu só, assistido por Maria Santíssima, co-redentora.

“O gênero humano não é o autor da própria redenção, mas o beneficiário da obra de Cristo”, (Philips).

A Igreja não existia ainda. Nasceu no Calvário, no Coração de Jesus.

Mas na redenção subjetiva, na distribuição e aplicação do mérito da cruz, Jesus quer a colaboração do seu corpo místico. Na Santa Missa, a Igreja e todos os fiéis são oferentes e oferecidos. Segundo a expressão de Sto. Agostinho: a Igreja oferece e é ofertada (Cf. Mediator Dei)

Diz Sto. Tomás (Sent 13): “O que foi ofertado uma vez por Cristo, pode ser ofertado todos os dias por seus membros”.

Escreveu Pio XI (1928): “Também o povo todo dos fiéis, com todo o direito chamado… estirpe régia e sacerdócio escolhido e real, deve ofertar, seja para si, seja por todo o gênero humano”. Confirma-o Pio XII (Myst. Corp. 1943): “Os próprios fiéis oferecem o cordeiro imaculado, pela mão do sacerdote, ao Eterno Pai”.

Portanto, todos os fiéis, marcados pelo caráter batismal, participam do sacerdócio da Igreja, segundo o conhecido texto, de Pd 2,5; e Ap 1,6 chama-os “reis e sacerdotes”.

Pelo caráter batismal os fiéis estão capacitados para haurir a graça através dos sacramentos da Igreja, e em particular para assistir a Santa Missa com fruto, favor que os não-batizados não gozam, mesmo que sejam pessoalmente mais santos. A Igreja primitiva despedia os catecúmenos após o culto da Palavra, por serem incapazes de participar do rito sacrifical.

Os fiéis batizados exercem também uma colaboração ativa no culto litúrgico, sendo partes da Igreja e do Corpo Místico (Vatic. II LG 34,62)

Este sacerdócio comum a todos os fiéis não deve ser exagerado, mas também não deve ser minimizado. Os fiéis exercem um real poder no culto litúrgico, embora subordinado ao sacerdócio ministerial e por seu intermédio.

O sacerdote está ligado a Cristo não só pelo caráter batismal e crismal, mas também pelo caráter sacerdotal.

Por força desse caráter, o sacerdote é o representante oficial do povo de Deus no culto perante o Cristo e perante o Pai.

Teologia das Realidades Celestes

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