As Vítimas

Oferecemos no sacrifício pascal Jesus Cristo, cabeça do Corpo Místico, o único que vale algo. Mas oferecemos também a nós mesmos. Porque nossa inserção em Cristo místico, nossa união com Jesus dá-nos valor também.

Jesus quer nossa cooperação na redenção. Somos salvos pela união e semelhança com Jesus. E agora nós, seus membros, temos a honra de ser vítima com ele, por nós e pelos outros.

A Igreja, o povo de Deus é complemento de Cristo: está portanto associada também à sua obra. Fazemos parte desse sacrifício infinito, oferecido diariamente por nossa cabeça. Nós, a título de membros, oferecemos e somos oferecidos, sacrificadores e vítimas na proporção de nossa união com Jesus. Na cruz, Jesus sacrificou-se sozinho; instituiu a Santa Missa, a fim de que todos dela participem, e do modo mais pleno possível. Na quarta prece eucarística do novo Missal, rezamos: “Para que reunidos num só corpo nos tornemos em Cristo um sacrifício vivo, para louvor de tua glória”. É a palavra de Rm 12,1: “Rogo-vos… ofereçais vossos corpos em holocausto, vivo, santo e agradável a Deus”.

Recolhemos de São Cipriano este belo texto: “O sacrifício do Senhor (Missa) não estará santamente celebrado, se à oblação não corresponde o sacrifício de nós mesmos” (Epist. 63)

Sto. Agostinho comenta: “Cristo não pede nossos donativos, mas nossas pessoas… quis que nós mesmos fôssemos seu sacrifício… Toda a cidade redimida é oferecida a Deus como sacrifício universal do Sumo Sacerdote.

E, ainda a voz da Escolástica (Sto. Tomás, II II 85,2); “O sacrifício que se oferece externamente significa o sacrifício interno, espiritual, no qual a alma se oferece a Deus”.

Mortos em Cristo

 

Nossa união mística com Cristo realiza-se com Cristo vítima; não com o Cristo ressuscitado e glorioso, por enquanto. Rm 6,5: “Fomos enxertados em Cristo pela semelhança com sua morte”.

A aplicação ascética é: tirar o velho homem do pecado, e revestir o novo homem, isto é, Cristo (Rm 8,6; Cl 3,9; Gl 3,27).

A ascese cristã é continuação e complementação da morte de Cristo em cada cristão (Stolz). A assimilação ao crucificado é que nos salva, assimilação ao seu estado de vítima. É o grão que deve morrer para florir e dar frutos. O corpo místico é a base real do cristianismo, e este está pregado na cruz. A Santa Missa arrasta-nos ao Calvário.

Teologia das Realidades Celestes: Padre João Beting CSsR

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