Vítimas em Cristo

Todo o povo de Deus, todos os cristãos são almas vítimas por força da ceia pascal. Cada um na intensidade que desejar. Material não nos falta neste vale de lágrimas.

Todas estas bagatelas, miúdas ou grandes, da nossa existência cotidiana, anexadas à vítima divina. Bagatelas valorizadas por mercê de Deus, pela união com Jesus, e valorizadas na proporção de nossa união com o Salvador.

“Quantas almas piedosas imaginam erroneamente que suas mortificações, privações e sofrimentos têm valor em si… E até pensam, talvez, que Deus lhe deva ser reconhecido” (GRIMAND, Missa, Ed. Vozes, 50). “Têm valor somente se incorporados em Cristo, o único com direito de apresentação ante o Pai Celeste.

Fique gravado: o grande meio de reparação, desagravo, expiação, não são nossas misérias, nossas virtudes, sacrifícios e penitências tão mesquinhas, mas o sacrifício do Filho de Deus”.

É mister recordar sempre que todo valor de expiação depende unicamente do sacrifício cruento de Cristo, ininterruptamente renovado sobre nossos altares” (Pio XI, 1928)

Importa, pois, unir-nos com Jesus na Santa Missa. E assistamos à Santa Missa unidos e juntos com Maria Santíssima, co-redentora e medianeira.

6. SACERDOTE DE CRISTO

 

O sacerdote é um real portador da redenção da cruz, e ele renova-a cada dia, para e em favor do povo de Deus. É o ato mais redentor, mais salvífico; mais que estigmas, dores e crucifixões místicas. Tua missa, ó sacerdote, salva o mundo!

 

Santidade

 

Tão sublime tarefa requer santos. Requer santidade superior a de qualquer religioso, santidade superior a toda a vida monástica.

Diz o Papa João XXIII (1959): “Pio XII declarou que o clero não está vinculado, por lei divina, aos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência… Todavia está errado dizer que o clérigo seja menos adstrito a tender à perfeição evangélica do que os religiosos…

 A situação é totalmente diferente, pois para o devido desempenho das funções sacerdotais requer-se uma maior santidade interior do que a que se exige para o estado religioso” (Sto. Tomás, III 14,8).

 Os conselhos evangélicos abrem-lhe caminho mais seguro para a desejada meta da perfeição cristã (Vaticano II, PO 12)

Sal da Terra

 

Jesus mesmo chama seus discípulos e apóstolos, cujos sucessores são os sacerdotes, “de sal da terra”. Se o sal perde a força, é inútil (Mt 5,13).

Mais enérgico em Lc 14,35: sal insosso não serve nem para estrume, mas é jogado na rua. Frase que remata as exigências do discipulado cristão e evangélico.

“Podem alguns ter dúvidas sobre o grau de renúncias exigido dos simples fiéis? Mas, palavras tão inequívocas como estas (Lc 14,27-33) não deixam margem alguma a uma escapatória diante da obrigação de sacerdotes e religiosos no que se refere a uma renúncia sem compromisso ao mundo” (T. MERTON, Chagas, Ed. Vozes, 126).

Teologia das Realidades Celestes