Recapitulando:

1. Jesus exige do discípulo a via da renúncia, isto é, chegar ao amor de Deus por meio do uso e do usufruto dos bens criados, ou apesar disto.

O discípulo deve caminhar ao céu, pela renúncia às criaturas, por boas que sejam. Os três sinóticos referem as palavras incisivas de Jesus: Mt 10,37; 16,24. Mc 8,34; 9,23. Lc 18,28 (favor HTUlerUTH).

O fato é indiscutível, e decerto Jesus quer para seus seguidores a vida de sacrifício, de mortificação. Quer que eles caminhem a Via-Sacra. Por que assim? A reflexão teológica procura desvendar o mistério do pensamento divino.

Uma pequena circunstância no texto evangélico requer a nossa atenção. Jesus diz sempre: “Se alguém quer vir após mim”. O discípulo deve levar a imitação de Jesus, a seqüela do Mestre até a última conseqüência.

Deve praticar a imitação, a seqüela de maneira integral, participando da vida de Jesus em sua totalidade; assumindo todas as fases de sua vida e de sua missão. Assumindo não só a de Nazaré, que representa nossa vida profissional. Não só imitar a Jesus como pregador missionário durante os três anos da vida pública. Mas acompanhá-lo até ao amargo fim do Calvário.

A missão de Cristo atinge seu ponto culminante na paixão e morte. O sacrifício da sua vida fez o resgate da humanidade pecadora. Foi a expiação do pecado, exigido pela justiça divina.

 E o discípulo deve associar-se também a esta suprema tarefa. Ele deve estar onde está seu Mestre (Jo 12,26). Deve morrer, porque “o grão de trigo deve morrer para dar fruto” (Jo 12,24).

 E Jesus diz isto no Domingo de Ramos, cinco dias antes de sua subida ao Calvário.

A alusão é visível.

2. A teologia ensina que toda obra sobrenatural tem três valores: um valor meritório, baseado no amor a Deus com que foi realizada; um valor impetrativo, de petição, e um valor satisfatório, de expiação da ofensa a Deus.

Sabemos que uma gota de sangue derramada por Jesus seria suficiente para a salvação, porque tem um valor infinito.

Sabemos que mesmo uma pequena prece de Jesus: “Pai, perdoai-lhes…”, mesmo um ato de amor seria suficiente para salvar mil mundos, seria manifestação perfeita de valor infinito.

 Mas, de fato, a Santíssima Trindade decidira exigir do Salvador o máximo em sofrimentos.

E por isso, para o resgate do pecador não bastam atos de amor, nem preces nem rezas, mas é necessária a satisfação; é necessário sofrer. E a bondade divina projetou a colaboração da criatura humana na obra da redenção;  Jesus repete os convites: “Se alguém quer vir após mim”, se alguém quer acompanhar-me, tome a cruz de cada dia sobre o ombro e siga-me.

Salvar almas significa sofrer. Naturalmente, sofrer com o amor de Deus. Dor sofrida por amor.

A vida de Jesus foi um absurdo divino. Morreu na flor da idade. Morreu como criminoso na forca. Sua vida foi um fracasso, seus adversários venceram em toda linha. Eis como o discípulo de Jesus deve realizar-se (Fl 2,2.7-8). Foi esvaziado… derrotado… feito obediente até a morte.

Teologia das Realidades Celestes