Com mais razão ainda do que Adão, Jesus podia repetir: isso é carne da minha carne. Maria Santíssima não foi só templo e sacrário do Verbo de Deus, mas sua esposa, “sponsa Verbi’, destinada a dar vida e existência à nova humanidade do corpo místico de Cristo.

Na anunciação o Verbo pediu o sim da livre colaboração. “Eis aqui a serva de Javé”, ao lado do Servo de Javé, profetizado por Isaías. A serva de Deus acompanhou seu Filho, e esposo, em todos os caminhos da terra santa.

Acompanhou-o na Via-Sacra, para celebrar as núpcias de sangue no Calvário. Novamente Maria Santíssima repetiu o sim da anunciação: faça-se em meu Filho a tua vontade.

O que Jesus sofreu fisicamente, sofreu Maria Santíssima na alma.

Invisivelmente estigmatizada, participou das dores do Redentor. E dele foi sócia, auxiliadora esposa, mãe, remiu o mundo.

Co-Salvadora

 

 

Ao morrer, Jesus entregou a humanidade aos cuidados de Maria Santíssima: “Eis o teu filho, senhora”. O discípulos acolheu-a em sua casa. O primeiro passo da redenção está dado.

Falta o segundo passo: levar a graça salvadora a cada indivíduo; transformar o filho da terra em filho de Deus. Tudo isso é encargo da nova Mãe dos homens.

A Co-redentora torna-se medianeira de todas as graças. Ajudou adquirir o tesouro da redenção: competelhe, portanto, também a distribuição.

Desde Pentecostes a Mãe de Jesus acompanha os apóstolos de seu Filho, auxiliando-os no apostolado, fecundando a palavra apostólica com a graça íntima. Rainha dos apóstolos. É também rainha, mestra de todos quantos se dedicam à oração pelos pecadores.

 De quantos contribuem, com seu padecer, ao resgate das criaturas humanas, errantes, longe de Deus. Rainha das almas vítimas. Bendito seja quem a acolhe em sua casa.

Magistério

 

 

Desde Leão XIII, o magistério ressalta a doutrina da co-redenção e da mediação mariana. Diz Pio XII, Mystici Corporis, 1943: “Maria Santíssima é santa progenitora de todos os membros de Cristo, como já afirmou Pio X…

Nascemos do seio de Maria, como o corpo unido com a cabeça. Num sentido espiritual e místico, somos chamados filhos de Maria, e ela é a mãe de todos nós…

Estava ao lado da cruz para tornar-se reparadora do mundo perdido e dispensadora de todas as graças…

No Calvário, sacrificando seus direitos maternos e seu amor de mãe, ofereceu, como nova Eva, por todos os filhos de Adão, o seu divino Filho ao Pai Eterno, de modo que, se era corporalmente mãe da cabeça, tornou-se mãe espiritual de todos os membros, por um novo título de dor e de glória.

Suportando dores imensas com alma forte, e mais que os simples fiéis vítima, verdadeira rainha dos mártires completou o que faltou à Paixão de Cristo”.

O Vaticano II contemplou com simpatia esta teologia mariana mais aprofundada, e permite-nos considerar Maria Santíssima como Medianeira das graças, e até como Co-redentora, por participação na obra redentora de Jesus, sendo portanto, “depois de Jesus, esperança e consolo do povo de Deus peregrinante” (LG 68).

Teologia das Realidades Celestes

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