Na economia atual da salvação, a Mãe de Jesus ocupa um lugar necessário. Ela é a mãe, não somente do Cristo, Filho de Deus encarnado, mas também do Redentor.

 Mereceu de congruo, por conveniência, tudo quanto Jesus mereceu no sentido estrito, de condigno. Maria Santíssima é diaconisa da missa na cruz. É mãe de todo o Corpo Místico. É Mãe da Igreja; é parte mais insigne do Corpo místico; sua mediação salvadora é superior a toda a Igreja junta.

Não tinha nada a expiar. É a Imaculada. Preservada do pecado original, de todo pecado pessoal, e mesmo da mínima imperfeição. Por nós associou-se aos terríveis sofrimentos de Jesus.

Mais do que qualquer outra criatura está associada à obra da Redenção. Mais do que os maiores santos. Mais do que os apóstolos. Mais do que os estigmatizados. Co-redentora, segundo a plenitude da graça e da caridade que recebeu.

Sua vida terrestre é, como a de Jesus, uma contínua expiação redentora. Sua vida celeste é toda dedicada à salvação das criaturas ainda peregrinantes no exílio.

A mensagem mariana dos últimos cem anos é a prova. A Virgem de La Salette chora; “ela chorou o tempo todo sobre nós”, diz Melânia. A Virgem de Lourdes pede orações pelos pecadores. A virgem de Fátima pede a reza do terço pelos pecadores. Acolher a Virgem em nossa casa é penhor da graça e da vida eterna.

Povo de Deus

Repetimos: pela incorporação no Cristo místico, todos os nossos sofrimentos ganham novo valor. São sofrimentos de Redentor.

Nossos padecimentos, voluntários ou involuntários, têm valor de co-redenção, de expiação, de resgate, porque Cristo e o cristão são uma só coisa, como resulta de Atos 9: “Saulo, por que me persegues?”

Como declarou uma Igreja antiga: “Jesus sofre nos mártires (Eusébio, a respeito dos mártires de Lião, em 180). Assim, todos os nossos sofrimentos completam a redenção: eis o máximo que se pode dizer da dor cristã.

A reparação-redenção de Jesus foi superabundante, infinita. Nada a acrescentar. Mas a sua Paixão deve ser “assimilada” por nós (Pioti).

Devemos deixar-nos absorver pelo Salvador. Ele quer renovar nos membros sua paixão. Escreveu Sto. Agostinho: “Cristo padeceu quanto devia. À medida da Paixão nada mais falta. Os sofrimentos estão completos quanto à Cabeça. Faltam os sofrimentos de Cristo em seu corpo (místico).”

Almas vítimas propriamente são todos os batizados, em virtude da união de todo seu corpo místico (Holstein).

Nosso fervor e nossa frieza dentro do Corpo místico favorece ou desfavorece a cura dos membros doentes ou mortos.

Jesus deixa o grau de colaboração salvífica à livre escolha do fervor e do amor de cada um. Convida, pede voluntários, não manda por lei.

Teologia das Realidades Celestes

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