Números

O número dos que se salvam fica aos cuidados de Nosso Senhor. Não é da nossa alçada. Seria vaidade, curiosidade. As vítimas trabalham, isto é, sofrem por amor, não em troca de pagamento, nem terrestre nem celeste.

Mas, uma e outra vez, Jesus dignou-se levantar o véu do mistério e revelou números, a título de estímulo e animação. A conferir o capítulo paralelo, no tratado da Oração.

 9. GALERIA DAS VÍTIMAS

Algumas amostras. Uma antologia forçosamente incompleta. É uma literatura de dos mil anos. Preferi textos de “mensagens”, deixando de lado fatos e gestos hagiográficos.

Predomina na antologia o elemento feminino, porque é mais expansivo, mais loquaz. E os comparsas masculinos raramente têm ao seu lado um direto espiritual, que os obrigue a escrever memórias espirituais Assim, eles usam das suas intuições espirituais para compor sermões (Tauler, Vianney) ou para redigir livros (Blois, João da Cruz).

A galeria das vítimas é maior que a Ladainha de todos os santos. Figuram aqui todos os estigmatizados, a começar com São Francisco de Assis. Seu sucessor imediato, o cisterciense Dodo de Haske, +1332, o missionário jesuíta Felipe Jeningen, +1704, até o nosso contemporâneo capuchinho, Frei Pio, +1969.

Menção especial merece a estigmatizada de Portugal, Alexandrina da Costa, +1955; e, no Brasil, Madre Amália.

Interminável a lista dos e das participantes das dores da Paixão. A consultar os 90 volumes, in folio, dos Bolandistas.

Participação que tem sempre o caráter de expiação suplente.

No terceiro grupo, predominante na nossa antologia, figuram as almas vítimas que consolam a Cristo na paixão, desagravam a divindade ofendida, sem ter outros estigmas que suas doenças, sofrimentos físicos ou morais, que merecem amando e sofrendo, ou, digamos com mais humildade e mais verdade, suplicam a graça da conversão para os pecadores.

Na antologia, preferimos textos que falam expressamente da expiação.

Quando ao gênero literário da revelação particular, vale a judiciosa orientação da Sta. Teresa d’Ávila: “Chupando uvas… chupa-se o caldo, mas põe-se de lado a casca; assim, aproveita-se o conteúdo doutrinal, abstraindo da sua origem supostamente divina”.

Inácio, Mártir, +107?

Bispo de Antioquia, martirizado em Roma, sob Trajano. Escreve à Igreja de Roma: “Só vos peço uma coisa: deixem-me oferecer a Deus a libação do meu sangue… Morrerei de bom grado, se vós não me impedirdes. Suplico-vos: não me tenham uma compaixão inoportuna. Deixem que me torne o pasto das feras, pelas quais irei chegar até Deus. Sou trigo de Deus, e devo ser moído pelos dentes das feras, a fim de ser oferecido a Deus como pão branco. Acariciai as feras, para que se tornem meu sepulcro e não deixem restos do meu corpo… Então serei discípulo verdadeiro de Cristo. Suplicai a Cristo para que, por estes meios, logre ser sacrifício a Deus…

Se as feras não quiserem tocar-me, eu mesmo as forçarei. Perdoai-me. Eu sei o que me convêm. Agora estou começando a tornar-me discípulo de Jesus Cristo.

Deixai-me ver a luz… Permiti-me imitar a paixão de meu Deus… Meu amor foi crucificado… e a fonte de água viva murmura dentro de mim: Vem ao Pai”.

Teologia das Realidades Celestes

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