São Francisco

Francisco implora a graça de poder suportar todas as enfermidades. Uma voz responde-lhe: “Francisco, pode-se pagar caro demais uma pérola, se com ela podemos comprar um reino sem preço? Esta pérola é o sofrimento enviado por Deus.

 Saiba que ele vale mais que todos os tesouros da terra. E não se deve trocá-lo pelo mundo inteiro, mesmo que todas as suas montanhas se transformem em ouro puro, e todas as suas pedras em diamantes. Alegra-te, é o caminho do paraíso!”

No seu retiro de quarenta dias no monte Alverne, dois anos antes da morte, qual novo Moisés, Cristo apareceu-lhe e mandou que abrisse o livro dos Evangelhos.

Três vezes deparou com a Paixão de Jesus.

Como na sua vida franciscana foi imitador de Cristo, também na morte devia assemelhar-se a ele. Recebeu os estigmas e também a sua parte nos padecimentos do Salvador, como o divino Mestre coroando sua vida apostólica como vítima de expiação.

Margarida de Cortona, +1297

Sexta-feira santa de 1287. Margarida participa, das nove às três da tarde, do drama da Paixão, vendo, padecendo e explicando de tempo em tempo a visão, sem perceber o povo que a rodeava. De braços estendidos, das doze às quinze horas, reflete no rosto os sofrimentos do crucificado. A cena termina com um agradecimento jubiloso.

Depois ela percebe, desapontada, a presença do povo.

Mas Jesus, intervém: “Fica sossegada, minha filha; quero que sejas o espelho dos pecadores, mesmo para os mais obstinados. Quero que eles se convençam, por teu exemplo, que o seio da minha misericórdia está sempre aberto ao arrependimento”.

Quaresma de 1288, Jesus mostra-lhe, ao lado dos pecadores por ela convertidos, a corrupção moral da cristandade:

“Meus inimigos são mais numerosos hoje do que no dia da Paixão. Se meu corpo fosse tão grande como o mundo, estaria coberto de feridas da cabeça até os pés”.

E a vista do Homem das dores ensangüentado arranca-lhe a generosa oferta de sofrer tudo com ele, pelos pecadores. A vítima é aceita. Uma cruz luminosa desceu do céu. “E onde estão os cravos para me pregar sobre esta cruz?”, pensou consigo. Jesus responde: “Sim, será mártir comigo. Mas não teu corpo, e sim teu coração será crucificado”.

“Minha filha, os meus bem-amados não devem chorar sobre seus males, mas sobre o povo. Três espécies de gemidos convêm aos meus amigos. A primeira, por seus pecados. A segunda, por minha dolorosa Paixão. E a terceira, pelos pecadores, que se perdem por ofender-me.

Desde a redenção, o mundo nunca necessitou tanto destas lágrimas como hoje… O mundo conspurcou-se em tantos vícios, que não encontras na graça nem mesmo um entre mil.

Teologia das Realidades Celestes