Catarina de Sena, +1380

 

 

Aos sete anos de vida, já tomava três disciplinas por dia: uma para si, outra pelas almas do purgatório, e a terceira pelos pecadores. Ofereceu-se como tampa do inferno, para ninguém mais cair nele.

Caluniada por uma leprosa, aparece-lhe Jesus e oferece duas coroas a escolher: uma de ouro e diamante, a outra de espinhos. Catarina escolhe a de espinhos, sentindo- os depois, continuamente. Estigmatização invisível.

Jesus convida-a ao apostolado: “Abre-me caminho. Abre-me a porta das almas para eu poder entrar… Dois são os mandamentos: amor de Deus e amor do próximo. Quero que tu andes com os dois pés. Quero que voes ao céu com as duas asas”.

Catarina se escusa: “Sou tão miserável, tão frágil! Como posso ser útil às almas? De que modo? Minha fraqueza feminina o impede”.

 Jesus responde: “Não suporto mais o orgulho dos que se julgam letrados e sábios… Para sua confusão, mandarei mulheres para a minha vinha”.

Preparando-se para comungar, sente desabar sobre si uma chuva de sangue e fogo: figura de sua missão.

Em 1270, Catarina morre: partira-se seu coração. Fica morta durante quatro horas. Faz um passeio através do céu, do purgatório e do inferno. No fim, Jesus pede que retorne à terra: “Viste, quanta glória perdem, quanto castigo sofrem os que me ofendem? Retorna, pois, e mostra-lhes o erro e o perigo”. Catarina põe dificuldades.

Jesus insiste: “A salvação de muitos depende de teu regresso. Vai, pois; não fiques mais na tua cela. Irás, de cidade em cidade. Irás falar perante bispos e papas…”

Catarina ressuscitou. Chorou dois dias e duas noites, sem parar, sentindo saudades do céu. “Ah, como sou infeliz!”

Catarina reza pela sua salvação eterna, pela sua perseverança final, pela sua família, de seu confessor, de seus amigos…

“Prova-me que me ouves e dá-me um sinal”. “Estende-me a mão”. E um prego atravessou-lhe a mão direita, e ela sentiu para sempre a ferida; era penhor.

A seus filhos espirituais escreve a santa “Assim como tu, Senhor, carregaste os sofrimentos que nós merecíamos, assim quero expiar as faltas de todos os meus filhos espirituais… Começai uma vida nova! Eu tomarei sobre mim os vossos pecados! Farei penitência em vosso lugar… Jesus está mais disposto a nos perdoar do que nós estamos a pecar”.

A estes filhos espirituais Catarina quer dar como alimento não leite, mas fogo. Jesus dissera-lhe certa vez:

“Eu sou o fogo, vós as centelhas”.

Testamento espiritual: “A fim de dar-se totalmente a Deus é mister libertar o coração e os sentimentos de tudo e de todo amor sensível pelas criaturas, e das coisas criadas, e apegar-se unicamente a Deus. O coração não pode dar-se realmente a Deus se não estiver livre”…

“Deus manifestou-me que jamais poderei atingir a perfeição sem ser humilde, fiel e constante na oração. A oração é uma mãe que concebe e alimenta na alma todas as virtudes. Sem ela, todas se debilitam e são de curta duração…”

Teologia das Realidades Celestes

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