Livro do Diálogo

“Muito me agrada o desejo de querer suportar toda pena e fadiga até a morte pela salvação das almas. Quanto mais sofrimentos suportas, mais provas me dás de que me amas”.

“A cruz é a ponte que da terra conduz ao céu. Os mundanos deixam-se levar pelas águas abaixo e se afogam”.

“Lavai a face da minha esposa com as lágrimas e o suor teu e dos outros servos meus”.

“Peço-te que benignamente, ó Deus eterno, castigues em mim (os crimes do mundo)”.

“Não vos canseis de lançar-me o incenso odorífico das orações pela salvação das almas; porque eu quero fazer misericórdia ao mundo, e lavar com vossas lágrimas a face da minha esposa, a Igreja”.

“Tu me fizeste quatro pedidos. Um por ti, que já atendi.

O segundo, que eu tenha misericórdia para com o mundo.

 O terceiro, pelo corpo místico da santa Igreja, suplicando-me que afastasse as trevas e perseguições. Já prometi e prometo-te que, mediante os muitos sofrimentos de meus servos, reformarei a minha esposa.

 O quarto pedido é um caso particular.

Eu, Pai Eterno, convido-te e os outros servos meus ao pranto; e com o pranto e com a humildade e contínua oração, quero usar de misericórdia para com o mundo”.

Como que ébria e fora de si, Catarina desejava que o suor de seu corpo fosse não de água, mas de sangue:

“Ó minha alma, quanto tempo perdeste, e então aconteceram tantos males no mundo e na santa Igreja!… Deus meu, quero que agora os remedeies, com teu suor de sangue!”

Catarina diz ao Pai: “Tu pareces abobado pelas tuas criaturas, como se não pudesses viver sem elas. O nosso bem não aumenta a tua grandeza! O nosso mal não te atinge! Que é que te move a fazer e usar de misericórdia?” -“O amor”.

Deus: “Meu amor vos criou meu amor vos sustenta. Fostes feitos por amor”. “Não abaixes tua voz a suplicar-me misericórdia pelo mundo… Por estes gemidos e gritos quero dar misericórdia mundo. E é isto que peço dos meus servos: este será o sinal de que me amam de verdade”.

“Bem sei que a misericórdia te é própria, mas não a podes aplicar senão a quem te pede”.

“O que pedir? O sangue, no qual tens lavado a maldade.

O sangue é nosso…”

“Põe na balança o preço do sangue de teu Filho.

Neste sangue deste banho nos cordeirinhos. Este sangue te pedem sedentos os teus filhos, para que faças misericórdia ao mundo e faças florir e reflorir a santa Igreja, com flores odoríficas de bons e santos pastores…

Pai, tu me disseste que, pelas orações de teus servos e pela fadiga que eles sustentam, terás compaixão com o mundo e reformarás tua Igreja. Responde com a voz da tua misericórdia”.

“A Maria Santíssima, mãe de meu Filho, dei este privilégio: justo ou pecador, que lhe tenha a devida reverência, não será levado ou devorado pelo demônio infernal”.

Teologia das Realidades Celestes