Osana de Mântua, +1505

Coroada de espinhos e tendo recebido uma ferida no coração, pede com ardor as outras chagas.

Jesus: “Tu queres, pois, receber meus estigmas?”

“Oh, sim; que mais te dizer?”

“Mas toma cuidado! As dores que desejas são cruéis e acima de tuas forças. Talvez te arrependerás ao teu pedido!” “Nada será pesado demais para meus ombros, se tu me vieres em meu socorro”.

Liduvina de Schiedam, +1438

“Um grande exército de doenças invadiu o seu corpo”, narra um biógrafo antigo. Nos três primeiro anos sofreu com paciência e com a impaciência do desejo de sarar.

Seguiu o conselho de confessor: de meditar sobre a paixão de Nosso Senhor, devoção que continuou pelos trinta e oito anos seguintes. Dividiu-a em sete partes, chamando-as de suas horas canônicas, diurnas e noturnas.

Só três anos depois sentiu e compreendeu a chamada de Jesus para ser vítima. Sua comunhão nos primeiros anos era só na Páscoa, depois tornou-se mensal e nos últimos anos foi quase diária. Foi, aliás, a comunhão nos últimos dezenove anos o seu único alimento. Vomitou, com dores, uma hóstia não consagrada. Jejum contínuo.

Nos primeiros anos, um pedaço de pão; depois, só líquido; um gole de cerveja ou de vinho de vez em quando. No fim, jejum absoluto.

Parece que fez quatro anos de noviciado para acostumar-se a sua nova profissão de vítima, até exclamar:

“Se soubesse que poderia sarar rezando uma Ave Maria, não rezaria essa Ave Maria”.

Foi estigmatizada numa visão de Maria Santíssima e de Jesus adolescente, que se transformou no homem das dores, e retornou depois ao estado de menino crucificado.

Os sinais eram visíveis até a morte.

O caso mais evidente de intercessão: uma flotilha de piratas aproximou-se para saquear a aldeia. Luduvina ofereceu-se para sofrer mais e a flotilha, apesar do vento favorável, foi afastada por força misteriosa, para o alto mar.

Num êxtase, encontra seu avô na porta do céu que lhe diz: “Querida filha, não te posso permitir a entrada neste lugar. Seria uma calamidade para aqueles que ainda têm necessidade de teus serviços. Ainda há pecados a expiar. Há almas do purgatório a libertar. Mas consola-te: será por pouco tempo”.

Teologia das Realidades Celestes

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