Camila Batista Varano, +1524

 

Vaidosa princesa da renascença, foi vestir-se do burel cinzento de Sta. Clara. Ainda menina de oito anos, começara a meditar sobre a Paixão todas as sextasfeiras.

Pelos quinze anos resolveu fazer esta meditação todos os dias, várias vezes após o baile no palácio. Uma visão do Calvário orienta a clarissa definitivamente para o Crucificado. Resolveu que todos os seus dias seriam “sextas-feiras santas” em perpétua memória da Paixão.

Ela põe reflexões e intuições na boca de Jesus e escreve:

“Agradeça a Deus e de todo o coração pelos sofrimentos que meu amor te prepara. A púrpura do sofrimento, eis o ornato nupcial. O dom mais precioso que Deus te pode dar é o sofrimento. Tu também podes te negar. Mas saibas que recusando, recusas o bem supremo.

É uma grande graça evitar o pecado. É graça maior praticar o bem. A maior de todas é poder e saber sofrer por amor a Deus. Vou agir contigo como meu Pai me tratou.

Vou carregar-te de todos os sofrimentos de que és capaz de suportar. E quanto mais te julgas abandonada por Deus, tanto mais perto dele estás”.

“Os sofrimentos do meu coração (no jardim das Oliveiras), foram inúmeros, infinitos! Precisas lembrar-te que sou cabeça de um corpo do qual todos os cristãos são membros, membros inumeráveis, dos quais a maior parte me foram, me são e me serão arrancados pelo pecado mortal, talvez repetidas vezes… e quantos, para sempre!…

Quanto maior era o meu amor por eles, amor que se devia prolongar pelos séculos dos séculos, tanto mais me senti afligido ao vê-los abandonar-me e apegar-se a objetos indignos deles”…

São João da Cruz

 

São João da Cruz diz que o amor pelo bem do próximo nasce da vida espiritual e contemplativa:

“Declarou Jesus que ele devia permanecer na obra de seu Pai, que é a redenção do mundo, o bem das almas…

Disse o Areopagita: das obras divinas, a mais sublime é cooperar com Deus na salvação das almas. É a suprema perfeição… ser cooperador de Deus na conversão das almas. Por isso, Cristo Jesus e Senhor, as chama “obras de seu Pai”, “interesses de seu Pai”. É uma verdade evidente que a comiseração pelo próximo tanto mais cresce quanto mais a alma se une com Deus, em amor…

Parece-lhes pouco ir sozinhas ao céu. Com ânsia, procuram levar muitos consigo. Desejo que nasce do grande amor que têm por Deus. E é propriamente fruto e efeito da oração perfeita e da contemplação” (Depoimento de Fr. Eliseu).

Teologia das Realidades Celestes

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